- A pintura “Retrato de Dama”, de Giuseppe Ghislandi, foi encontrada na Argentina após estar desaparecida desde a Segunda Guerra Mundial.
- A obra pertencia ao comerciante de arte judeu Jacques Goudstikker e foi confiscada durante a ocupação nazista.
- A descoberta ocorreu em uma casa à venda em Mar del Plata, pertencente a uma filha de um burocrata nazista.
- Especialistas confirmaram que a pintura corresponde à descrição da obra desaparecida, que estava sob a posse de um alto funcionário alemão em 1946.
- Os herdeiros de Goudstikker planejam solicitar a restituição da obra, mas o processo pode ser longo e complicado.
Uma pintura de Giuseppe Ghislandi, intitulada “Retrato de Dama”, foi recentemente localizada na Argentina, após estar desaparecida desde a Segunda Guerra Mundial. A obra, que pertencia ao comerciante de arte judeu Jacques Goudstikker, foi confiscada durante a ocupação nazista e estava pendurada em uma casa à venda no litoral argentino.
A descoberta foi feita por jornalistas do Algemeen Dagblad e um investigador aposentado, que identificaram a pintura em fotos de um imóvel listado pela imobiliária Robles Casas & Campos. O quadro foi encontrado em uma casa no bairro Parque Luro, em Mar del Plata. O último registro da obra datava de 1946, quando estava sob a posse de um alto funcionário alemão que fugiu após a derrota do Terceiro Reich.
Contexto Histórico
O imóvel pertence a uma das filhas de Friedrich Kadgien, um burocrata nazista que colaborou com Hermann Göring. Kadgien fugiu para a Argentina após a guerra, onde viveu até 1978. Ele foi descrito em documentos pós-guerra como um colaborador próximo do regime nazista, envolvido em esquemas de apropriação de bens de comerciantes judeus.
Goudstikker, que morreu em circunstâncias trágicas enquanto tentava escapar da Europa, deixou um inventário detalhado de sua coleção, que inclui mais de 1100 obras. Sua família, liderada por Marei von Saher, busca a restituição das obras roubadas há mais de 25 anos.
Implicações da Descoberta
A localização do retrato reacende a discussão sobre a restituição de bens culturais saqueados. Especialistas da Agência de Patrimônio Cultural dos Países Baixos confirmaram que as fotos da pintura coincidem com as descrições da obra desaparecida. Embora o valor econômico da pintura seja incerto, sua importância histórica é inegável.
Os herdeiros de Goudstikker pretendem solicitar a restituição da obra, mas o processo pode ser longo e complicado, especialmente se o proprietário se recusar a devolver a pintura. A filha de Kadgien, até o momento, não forneceu informações detalhadas sobre a obra, alegando falta de tempo.
Além do retrato de Ghislandi, uma natureza morta do pintor Abraham Mignon, também desaparecida, foi mencionada em redes sociais por uma das irmãs Kadgien. Essa situação evidencia como o tráfico de bens culturais se estende por gerações e fronteiras, mantendo viva a luta pela justiça e pela recuperação de patrimônios perdidos.
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