- Donald Trump intensifica a “batalha dos mapas”, pressionando Estados republicanos a redesenhar distritos por meio de gerrymandering.
- No Texas, o desenho dos distritos já foi aprovado e pode entrar em vigor, mesmo com eventual enfrentamento judicial.
- Democratas respondem com planos de redesenhar mapas em seus estados, incluindo Califórnia, Nova York e Illinois, em uma ofensiva sem precedentes.
- A Califórnia aprovou plebiscito em novembro para decidir um redesenho que favoreça os democratas, substituindo a comissão independente responsável pelo mapa até 2030.
- Em meio à incerteza, espera-se que a eventual reorganização dos distritos para 2026 influencie assentos no Senado e na Câmara, com os republicanos buscando manter influência no Texas e ampliar ganhos em outros estados.
Trump intensifica a disputa por mapas eleitorais nos Estados Unidos, pressionando governadores e legislaturas de estados a redesenhar distritos com vistas às eleições de meio de mandato. A tendência já gerou respostas rápidas de republicanos e democratas em diferentes frentes.
O ataque direto ocorre após o Texas aprovar um novo desenho distrital, considerado favorável aos republicanos. A medida pode abrir até cinco novas vagas para o partido nas próximas eleições, segundo levantamentos locais.
A escalada não se restringe ao Texas. Governadores e legislaturas de Indiana, Ohio, Missouri e Flórida também foram alvo de pedidos oficiais de redesenho, aumentando a percepção de uma estratégia nacional de gerrymandering.
Do lado Democrata, a Califórnia prometeu responder com um redesenho de mapas também favorável à legenda, em uma medida que pode abrir cinco novos assentos democratas no estado. Nova York, Maryland e Illinois estudam movimentos semelhantes.
No Texas, o projeto já está em vigor, apesar de a possibilidade de disputas judiciais. Os democratas chegaram a deixar o estado por duas semanas para dificultar a votação, mas retornaram após a promessa de retaliação em outros estados.
A orientação de Trump aponta para manter o controle da Câmara dos Deputados na eleição de 2026, que terá o mesmo formato de renovação de assentos já neste meio de mandato. O equilíbrio atual favorece os republicanos no Congresso.
Especialistas divergem sobre o alcance da prática. Alguns veem o gerrymandering como arma de eleições, enquanto outros ressaltam que a Constituição exige apenas igual população entre distritos e proíbe discriminação racial no desenho.
A explicação técnica envolve duas estratégias: cracking, ao dividir eleitores de oposição entre distritos; e packing, ao concentrar esses eleitores em poucos distritos para vencer com margens grandes. Ambas reduzem a voz de minorias.
O governador do Texas, Greg Abbott, defende o redesenho antecipado, citando uma interpretação legal sobre distritos de coalizão. Críticos afirmam que a mudança não depende apenas de decisões judiciais, mas de leis estaduais específicas.
Para o ex-deputado Steve Israel, a prática evoluiu de um expediente tático para uma ferramenta de reeleição, ampliando críticas sobre o uso político do redesenhamento.
Batalha de mapas
A pressão de Trump ganha contornos nacionais, com promessas de que outros estados também adotem gerrymandering. A viabilidade depende das leis locais e de reformas institucionais em cada estado.
A California aprovou plebiscito para decidir, em novembro, se haverá redesenho dos distritos de forma mais favorável aos democratas, substituindo uma comissão independente até 2030. A medida pode alterar o desenho distrital do estado.
Nova York, Maryland e Illinois avaliam medidas semelhantes, ainda sem cronograma definido para a implementação até as eleições de meio de mandato.
Para analistas, o cenário mantém o país com menos competição eleitoral. Pesquisas apontam que o apoio de eleitores latinos no Texas pode oscilar, influenciado por fatores econômicos e de políticas migratórias.
O debate envolve ainda o papel de partidos e o impacto sobre o voto de minorias. Especialistas ressaltam que o objetivo é alcançar maior controle com menos competitividade entre distritos.
Contexto histórico
Gerrymandering remete ao desenho de distritos após o censo, a cada década. A prática é permitida nos EUA, mas cada estado impõe regras próprias. O termo deriva de Elbridge Gerry, líder estadual do século XIX, associado a um distrito que lembrava uma salamandra.
A discussão continua sem uma conclusão única sobre o equilíbrio entre representação e competitividade. A neutralidade e a veracidade permanecem centrais em toda a cobertura deste tema.
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