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Alhucemas relembra o desembarque colonial esquecido há 100 anos na história

Ativistas do Rif buscam resgatar a memória do desembarque de Alhucemas e denunciar a marginalização da região após um século de história colonial.

Tropas espanholas durante o desembarco de Alhucemas, em 8 de setembro de 1925 (Foto: Reprodução)
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  • O desembarque de Alhucemas, em 8 de setembro de 1925, marcou o fim da República do Rif, proclamada por Mohamed Abdelkrim el Jatabi após a derrota espanhola na batalha de Annual, em 1921.
  • Ativistas, como Omar Lemallam, da associação La Memoria del Rif, buscam reviver a memória dessa luta pela independência, destacando a falta de ensino sobre a história da região nas escolas marroquinas.
  • A marginalização econômica do Rif, que dura mais de 40 anos, resultou nas revoltas de 2016 e 2017, conhecidas como Hirak, e a cidade de Alhucemas enfrenta sérios desafios econômicos.
  • A associação planeja uma conferência sobre o centenário do desembarque, mas não há comemorações oficiais programadas.
  • A repressão a protestos sociais continua, com severas condenações, como a de Nasser Zefzafi, líder do Hirak, que recebeu uma pena de 20 anos.

Centenário do Desembarque de Alhucemas

O desembarque de Alhucemas, ocorrido em 8 de setembro de 1925, marca o fim da efêmera República do Rif, proclamada por Mohamed Abdelkrim el Jatabi após a derrota espanhola na batalha de Annual, em 1921. Este evento, que envolveu um grande despliegue militar, é frequentemente esquecido tanto por Marrrocos quanto por Espanha.

Ativistas como Omar Lemallam, da associação La Memoria del Rif, buscam reviver a memória dessa luta pela independência. Segundo Lemallam, a história da região não é ensinada nas escolas marroquinas, o que contribui para a marginalização da população local. Ele destaca que Abdelkrim foi crucial ao unir tribos contra a ocupação espanhola, sonhando com um Grande Rif independente.

Consequências da Marginalização

A marginalização econômica do Rif, que persiste há mais de 40 anos, culminou nas revoltas de 2016 e 2017, conhecidas como Hirak. A cidade de Alhucemas, com cerca de 50 mil habitantes, enfrenta desafios econômicos significativos, agravados pela falta de infraestrutura e oportunidades de emprego. A associação planeja uma conferência sobre o centenário, mas lamenta a ausência de uma comemoração oficial.

Os desdobramentos da guerra colonial ainda são sentidos na região, onde muitos descendentes das vítimas enfrentam problemas de saúde, incluindo altos índices de câncer. A repressão a protestos sociais resultou em severas condenações, como a de Nasser Zefzafi, líder do Hirak, que recebeu uma pena de 20 anos.

Memórias e Lutas Atuais

A luta por reconhecimento e direitos continua, com a população clamando por melhorias nas condições de vida. Ahmed Zafzafi, pai de Nasser, expressou sua desesperança em relação ao governo atual, enfatizando que a história do Rif e suas lutas não devem ser esquecidas. A memória do desembarque de Alhucemas, que completou um século, permanece viva, refletindo as feridas ainda abertas na sociedade local.

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