- Recentes vazamentos de documentos de empresas chinesas, Geedge e GoLaxy, mostram que a indústria de vigilância e propaganda na China é impulsionada por forças econômicas, além das políticas.
- A Geedge colabora com instituições acadêmicas para desenvolver tecnologias de vigilância e já substituiu equipamentos da canadense Sandvine no Paquistão.
- A GoLaxy, que utiliza inteligência artificial para analisar redes sociais, se destaca como a “número um em análise de big data” na China, atendendo principalmente o Partido Comunista Chinês, o governo e o exército.
- Ambas as empresas têm laços com a Academia Chinesa de Ciências e visam agências governamentais provinciais, com a GoLaxy buscando R$ 5,9 milhões em contratos com entidades governamentais em 2020.
- Documentos indicam que a vigilância e a propaganda na China seguem lógicas de mercado, semelhantes a práticas ocidentais, e empresas americanas também contribuíram para o mercado de vigilância na China.
Recentes vazamentos de documentos de empresas chinesas, Geedge e GoLaxy, revelam que a indústria de vigilância e propaganda na China é impulsionada por forças econômicas, além das políticas. Esses documentos mostram que o sistema de censura, frequentemente visto como único, opera de maneira semelhante ao Ocidente.
A Geedge, por exemplo, colabora com instituições acadêmicas para desenvolver tecnologias de vigilância, adaptando suas estratégias para atender às necessidades de diferentes clientes. Em um caso, a empresa substituiu equipamentos da canadense Sandvine no Paquistão. Já a GoLaxy, que utiliza inteligência artificial para analisar redes sociais, se apresenta como a “número um em análise de big data” na China, atendendo principalmente o Partido Comunista Chinês, o governo e o exército.
Relações e Estratégias
Ambas as empresas mantêm laços estreitos com a Academia Chinesa de Ciências, o principal centro de pesquisa do país. Elas também visam agências governamentais provinciais, que buscam monitorar questões locais. Um documento vazado da GoLaxy revela que a empresa tinha como meta garantir 42 milhões de RMB (aproximadamente 5,9 milhões de dólares) em contratos com entidades governamentais em 2020.
Esses vazamentos indicam que a vigilância e a propaganda na China são moldadas por lógicas de mercado, assim como ocorre no Ocidente. A comparação com empresas ocidentais é inevitável, pois muitas começaram como projetos acadêmicos antes de se tornarem startups focadas em contratos governamentais. No entanto, a falta de transparência na China torna essas operações menos visíveis.
Comparações Internacionais
Um ponto interessante nos documentos da GoLaxy é a comparação de suas atividades com a Cambridge Analytica, que influenciou campanhas políticas nos Estados Unidos. A empresa chinesa se vangloria de seu papel em eventos políticos significativos, destacando a importância de suas operações.
Além disso, uma investigação da Associated Press aponta que empresas americanas também contribuíram para o mercado de vigilância na China, vendendo tecnologia para monitorar populações minoritárias. Esses fatos sugerem que a censura e a propaganda na China não são apenas resultado de um plano governamental, mas também de uma dinâmica de mercado que envolve competição e metas financeiras.
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