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146 defensores ambientais foram mortos ou desaparecidos no último ano

Em 2024, pelo menos cento e quarenta e seis defensores ambientais foram mortos ou desaparecidos; América Latina continua a região mais violenta

Hunter in Colombia. By Rhett Ayers Butler
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  • Em dois mil e vinte e quatro, pelo menos cento e quarenta e seis defensores de terras, água e florestas foram mortos ou desapareceram, segundo a Global Witness; são dois mil, duzentos e cinquenta e três desde dois mil doze.
  • A América Latina continua sendo a região mais perigosa, com cento e dezessete casos no ano passado; Colômbia registrou quarenta e oito, Guatemala vinte, México pelo menos dezoito e Brasil doze; quatro pessoas sumiram sem deixar vestígios.
  • Cerca de um terço das vítimas eram povos indígenas, apesar de representarem apenas cerca de seis por cento da população mundial.
  • A maioria dos casos envolveu terra ou reforma agrária, com mineração, desmatamento e agronegócio também destacando-se; organizadas por crime e forças privadas foram os principais autores identificados.
  • Além das mortes, houve aumento do uso de instrumentos de repressão não letais, como leis mais duras e acusações de terrorismo ou crimes financeiros para criminalizar protestos ambientais.

146 defensores ambientais foram mortos ou desapareceram em 2024

O levantamento mais recente da Global Witness aponta que, no ano passado, pelo menos 146 pessoas foram mortas ou sumiram enquanto defendiam terras, água e florestas. Desde 2012, o total contabiliza 2.253 casos. O relatório descreve a cifra como um caderno de vítimas de uma guerra lenta.

A América Latina permanece como região mais violenta. Entre os 117 casos documentados no ano, 48 ocorreram na Colômbia, país líder mundial há três anos. Guatemala teve 20 mortes, México 18, Brasil 12 e Filipinas 7. Quatro pessoas desapareceram: Chile, Honduras, México e Filipinas. Cerca de um terço das vítimas eram indígenas.

Casos emblemáticos e contexto

Entre as vidas ceifadas, destaca-se a liderança mapuche Julia Chuñil, de 72 anos, que resistia à perda de terras ancestrais no sul do Chile. Ela desapareceu em novembro, após deixar sua cabana na floresta Valdiviana; o cão retornou, mas ela não. Familiares relatam assédio e desconfiança enquanto buscam respostas.

A maioria dos casos teve ligação com disputas de terra e reformas Agrárias, com extração de mineração, exploração florestal e agronegócio entre os principais gatilhos. Criminosos organizados aparecem como autores identificados, seguidos por forças privadas e pistolagem contratada.

Tendências de repressão e impacto

O informe aponta ainda uso crescente de instrumentos não letais de repressão. Em democracias e regimes autoritários, governos aprovam leis amplas, imputam acusações de terrorismo ou tributárias e impõem penas duras a protestos ambientais. A criminalização reduz a participação cívica e isola comunidades.

Global Witness sustenta que os ataques refletem falhas estruturais: proteção jurídica de terras fraca, impunidade para agressores e tratamento de defensores como entraves, não como parceiros. A organização aponta necessidade de salvaguardas e responsabilização mais robustas.

Perspectivas e vozes

A pesquisadora sênior Laura Furones, autora principal do relatório, descreve a violência como uma violação intolerável contra quem defende a vida. O documento ressalta que, sem mecanismos de proteção, a violência tende a continuar conforme a crise ambiental se agrava.

O defensor colombiano Jani Silva reforça que muitos não escolhem ser defesas, mas acabam nessa função porque seus lares, terras, comunidades e vidas estão ameaçados. Atualmente, essa escolha costuma ter custo mortal elevado.

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