- O governo de Benjamin Netanyahu organizou uma visita guiada para o secretário de estado americano, Marco Rubio, em Jerusalém, com foco em escavações arqueológicas.
- Durante a visita, Israel bombardeou um depósito de artefatos arqueológicos em Gaza, destruindo décadas de trabalho arqueológico.
- Independentes arqueólogos criticam que esta ação é parte de uma tentativa de simplificar a história para apoiar a agenda política de Netanyahu.
- O bombardeio teve um impacto significativo no patrimônio cultural da região, com artefatos de múltiplos períodos e civilizações sendo destruídos.
- A visita e o bombardeio destacam a batalha contínua pela narrativa histórica no conflito israelo-palestino.
Israel usa arqueologia para reforçar narrativa política
Jerusalém, 25 de setembro de 2025 – O governo de Benjamin Netanyahu organizou uma visita guiada para o secretário de estado americano, Marco Rubio, focada em escavações arqueológicas em Jerusalém. O evento visa reforçar a narrativa de Jerusalém como a capital eterna e indivisa de Israel. No entanto, durante a visita, Israel bombardeou um depósito de artefatos arqueológicos em Gaza, destruindo décadas de trabalho arqueológico.
#### Visita guiada e bombardeio
A visita de Rubio incluiu uma exploração de escavações perto da Muralha das Lamentações e a inauguração de um túnel sob um distrito palestino, ao longo de uma rua da era romana conhecida como a Estrada da Peregrinação. Netanyahu enfatizou que esses eventos destacam as raízes judaicas de Jerusalém e seu status como “nossa capital eterna e indivisa”.
Enquanto Rubio estava em Jerusalém, aviões israelenses bombardearam o depósito de artefatos arqueológicos em Gaza, destruindo três décadas de trabalho arqueológico. O depósito continha aproximadamente 30 anos de trabalho arqueológico na Faixa de Gaza e abrigava dezenas de milhares de itens.
#### Críticas de arqueólogos independentes
Independentes arqueólogos criticam que esta ação é parte de uma tentativa de simplificar a história para apoiar a agenda política de Netanyahu. Alon Arad, chefe de um grupo independente de arqueólogos, Emek Shaveh, disse que o túnel da Estrada da Peregrinação já havia sido aberto antes, durante o primeiro mandato de Donald Trump, e que o projeto do parque arqueológico Cidade de Davi tem tudo a ver com judaizar o patrimônio da região.
Arad também acusa a organização Elad de usar métodos desacreditados. “Arqueólogos pararam de cavar em túneis no início do século XX”, disse ele. “O fato de que estão escavar em túneis sob as casas das pessoas sem permissão torna tudo isso má arqueologia.”
#### Desdobramentos e repercussões
A visita de Rubio foi projetada para sublinhar uma história Judeu-cristã compartilhada focada em Jerusalém, que une a base evangélica do Partido Republicano ao estado de Israel. A visita contou com a presença de Mike Huckabee, um pastor batista evangélico, atual embaixador dos EUA em Israel e defensor inequívoco da expansão territorial israelense.
A visita e o bombardeio destacam a batalha contínua pela narrativa histórica no conflito israelo-palestino. Enquanto o governo de Netanyahu busca reforçar a narrativa de Jerusalém como a capital eterna de Israel, independentes arqueólogos argumentam que essas ações são parte de uma tentativa de simplificar a história para apoiar a agenda política de Netanyahu.
#### Declarações de fontes
“Esta cerimônia é apenas má arqueologia e outra prova de que o projeto do parque arqueológico Cidade de Davi não tem nada a ver com arqueologia ou patrimônio”, disse Arad. “A visita de Rubio e a cerimônia de inauguração do túnel são exemplos claros de ‘visão de túnel’.”
#### Impacto cultural
O bombardeio do depósito de artefatos arqueológicos em Gaza teve um impacto significativo no patrimônio cultural da região. O depósito continha artefatos de múltiplos períodos, conectados a múltiplas civilizações e crenças. Alguns dos objetos que os arqueólogos conseguiram remover antes do bombardeio foram quebrados enquanto eram movidos em caminhões abertos, os únicos permitidos pelo exército israelense.
#### Conclusão
A visita de Marco Rubio a Jerusalém e o bombardeio do depósito de artefatos arqueológicos em Gaza destacam a complexidade do conflito israelo-palestino e a batalha contínua pela narrativa histórica. Enquanto o governo de Netanyahu busca reforçar a narrativa de Jerusalém como a capital eterna de Israel, independentes arqueólogos argumentam que essas ações são parte de uma tentativa de simplificar a história para apoiar a agenda política de Netanyahu.
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