- Em abril de 2024, ocorreu a primeira repatriação de um espécime de história natural para o Caribe anglófono entre a Universidade das Índias Ocidentais na Jamaica e a Universidade de Glasgow na Escócia.
- O espécime repatriado foi uma lagartixa gigante jamaicana extinta chamada Celeste, que agora está na coleção nacional de flora e fauna do Museu de História Natural da Jamaica.
- Este evento destaca a necessidade de redefinir as propriedades culturais e a importância da repatriação como prática ética para reparar iniquidades históricas.
- O colonialismo na região do Caribe levou à depopulação dos povos indígenas, à importação forçada de africanos e à chegada de indianos e chineses sob esquemas de servidão.
- Durante o domínio espanhol e britânico, muitos itens culturais foram retirados da Jamaica e classificados como patrimônio do império, representando um ato de pilhagem.
Repatriação de Espécime Extinto Destaca Importância da Redefinição de Propriedades Culturais
Em abril de 2024, ocorreu a primeira repatriação de um espécime de história natural para o Caribe anglófono. A Universidade das Índias Ocidentais na Jamaica e a Universidade de Glasgow na Escócia repatriaram uma lagartixa gigante jamaicana extinta, chamada Celeste, que agora está na coleção nacional de flora e fauna do Museu de História Natural da Jamaica. Este evento destaca a necessidade de redefinir as propriedades culturais e a importância da repatriação como prática ética para reparar iniquidades históricas.
Colonialismo e Pilhagem Cultural
O colonialismo na região do Caribe levou à depopulação sistemática dos povos indígenas, à importação forçada de africanos e à chegada de indianos e chineses sob esquemas de servidão. Durante o domínio espanhol e britânico, muitos itens culturais foram retirados da Jamaica e classificados como patrimônio do império, representando um ato de pilhagem.
Repatriação como Prática Ética
A repatriação de Celeste responde à necessidade de reparar danos causados pelo colonialismo. A restituição de itens culturais é um processo complexo, moldado por políticas legais, nacionais e internacionais. A Convenção de Haia de 1954 da UNESCO foi a primeira tentativa internacional de proteger propriedades culturais durante guerras. As convenções de Unidroit de 1970 e 1995 sobre o tráfico ilícito de propriedades culturais buscam incentivar os países a desenvolver a infraestrutura para documentar e proteger o patrimônio cultural contra apropriação ilícita.
Impacto na Pesquisa e Identidade Cultural
A repatriação do espécime de Celeste oferece uma oportunidade para os profissionais do Caribe repensarem as definições de propriedade cultural. Se definirmos material cultural caribenho como qualquer manipulação física de materiais para uso social, datando desde a primeira evidência de ocupação humana até o presente, e originário especificamente das áreas arquipelágicas e costeiras delimitadas pelo Mar do Caribe, então excluímos flora e fauna. Usando uma definição mais ampla de material cultural para incluir a natureza, devemos reconhecer que nossas coleções podem estar em qualquer lugar.
Repatriação e Justiça Restaurativa
A repatriação é uma prática ética necessária que desmantela a iniquidade histórica tanto no acesso à cultura material quanto na construção do conhecimento e identidade cultural. É uma parte essencial da justiça restaurativa e reparadora. A repatriação de Celeste não é apenas um ato simbólico, mas um passo significativo na direção de uma reparação mais ampla e justa das iniquidades históricas.
Desafios e Perspectivas
A repatriação enfrenta desafios, incluindo políticas e leis nacionais que muitas vezes minam convenções internacionais e acordos bilaterais. No entanto, universidades e instituições acadêmicas podem fornecer um caminho importante para a repatriação em casos onde as políticas nacionais e leis dificultam o processo. A repatriação de Celeste tem estimulado pesquisas sobre repatriação e coleta colonial dentro dos debates de justiça reparadora no Caribe.
Conclusão
A repatriação de Celeste é um marco significativo na história do Caribe, destacando a importância de redefinir as propriedades culturais e a necessidade de práticas éticas de repatriação para reparar iniquidades históricas. Este evento não apenas devolve um espécime importante, mas também abre caminho para uma reflexão mais ampla sobre identidade cultural e justiça reparadora.
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