- A Microsoft suspendeu os serviços de nuvem e inteligência artificial para a Unidade 8200, o braço de inteligência das Forças Armadas de Israel, após descobrir que a tecnologia estava sendo usada para monitorar em massa a população palestina na Faixa de Gaza e na Cisjordânia.
- A decisão foi baseada em uma investigação interna que revelou a violação dos termos de uso da plataforma Azure. Essa suspensão marca a primeira vez que uma grande empresa de tecnologia dos EUA encerra formalmente uma parceria com o Exército israelense desde o início da ofensiva em Gaza em 2023.
- O projeto de vigilância usava a capacidade da Azure para armazenar até 8.000 terabytes de ligações interceptadas de palestinos, que podiam ser ouvidas, analisadas e cruzadas com dados por meio de ferramentas de inteligência artificial.
- A tecnologia, segundo as investigações, foi usada para selecionar alvos de bombardeio em Gaza, que já resultaram na morte de mais de 65 mil pessoas, segundo estimativas de agências humanitárias.
- Após a publicação do escândalo, a Unidade 8200 retirou os dados dos servidores da Microsoft, transferindo-os para a plataforma da Amazon Web Services (AWS). A Microsoft afirmou que executivos da companhia, incluindo o CEO Satya Nadella, não tinham conhecimento prévio do uso da Azure para armazenar conteúdo de ligações interceptadas.
A Microsoft suspendeu os serviços de nuvem e inteligência artificial para a Unidade 8200, o braço de inteligência das Forças Armadas de Israel, após descobrir que a tecnologia estava sendo usada para monitorar em massa a população palestina na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. A decisão foi baseada em uma investigação interna que revelou a violação dos termos de uso da plataforma Azure. Essa suspensão marca a primeira vez que uma grande empresa de tecnologia dos EUA encerra formalmente uma parceria com o Exército israelense desde o início da ofensiva em Gaza em 2023.
Monitoramento em Massa
O projeto de vigilância usava a capacidade quase ilimitada da Azure para armazenar até 8.000 terabytes de ligações interceptadas de palestinos, que podiam ser ouvidas, analisadas e cruzadas com dados por meio de ferramentas de IA. O programa era tão abrangente que o lema interno dos agentes da 8200 virou “um milhão de chamadas por hora”. A tecnologia, segundo as investigações, foi usada para selecionar alvos de bombardeio em Gaza — que já resultaram na morte de mais de 65 mil pessoas, segundo estimativas de agências humanitárias.
Reação da Microsoft
Após a publicação do escândalo em agosto, a Unidade 8200 retirou rapidamente os dados dos servidores da Microsoft na Holanda, transferindo-os para a plataforma da Amazon Web Services (AWS). A Microsoft alegou que executivos da companhia, incluindo o CEO Satya Nadella, não tinham conhecimento prévio do uso da Azure para armazenar conteúdo de ligações interceptadas. O vice-presidente da Microsoft, Brad Smith, comunicou aos funcionários a decisão de encerrar os serviços à unidade militar. Em e-mail obtido pelo Guardian, Smith afirmou que a empresa “não fornece tecnologia para facilitar a vigilância em massa de civis”.
Impacto e Desdobramentos
A revelação causou pressão dentro da própria Microsoft, com protestos de funcionários e acionistas. O grupo “No Azure for Apartheid”, formado por colaboradores da empresa, organizou manifestações e exigiu o rompimento de contratos com o setor militar israelense. A suspensão afeta apenas parte dos serviços fornecidos à Unidade 8200, mas pode gerar novas discussões dentro de Israel sobre a prática de armazenar dados militares sensíveis em nuvens de empresas estrangeiras. A ação da Microsoft também pode provocar um efeito cascata sobre outras big techs — como Amazon, Google e Oracle — que mantêm parcerias com governos em zonas de conflito.
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