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Xi reprime feministas na China, elogia avanços em conferência feminina

Xi Jinping elogia avanços dos direitos das mulheres na cúpula em Pequim e anuncia doações de US$ 10 milhões à ONU Mulheres e US$ 100 milhões para o Sul Global, enquanto repressões a feministas se intensificam

Iceland’s president, Halla Tómasdóttir (left), interacts with China's president, Xi Jinping, during the opening ceremony of the global women's summit. Photograph: Getty Images
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  • Xi Jinping elogiou avanços dos direitos das mulheres na conferência global em Pequim, que celebra 30 anos da conferência da ONU; anunciou doações de US$ 10 milhões para a Organização das Nações Unidas para a Mulher (UN Women) e US$ 100 milhões para países do sul global.
  • Apesar dos elogios, o governo mantém repressão a ativistas feministas, com fechamento de organizações e banimento de contas em redes sociais como WeChat e Weibo.
  • O discurso mencionou queda de 80% na mortalidade materna e aumento da participação feminina na governança nacional, mas feministas enfrentam restrições severas.
  • A repressão se intensificou com a ausência de mulheres no novo politburo pela primeira vez desde 1997; mais de 1.300 contas foram banidas no Weibo no último mês por suposto incitamento a antagonismo de gênero.
  • Várias vozes femininas ainda resistem, como Lü Pin, fundadora de organização feminista influente, e Wang Huiling, vlogger, cujas contas e a autobiografia foram alvo de expulsões e banimentos.

O presidente da China, Xi Jinping, destacou os avanços dos direitos das mulheres durante a conferência global de mulheres, realizada em Pequim. No evento, que marca os 30 anos da histórica conferência da ONU sobre o tema, ele anunciou doações de US$ 10 milhões para a UN Women e US$ 100 milhões para países do sul global. Apesar dos elogios, a repressão a ativistas feministas continua intensa.

Durante seu discurso, Xi mencionou a redução de 80% na mortalidade materna e o aumento da participação feminina na governança nacional. Contudo, feministas enfrentam severas restrições em suas atividades. O governo chinês tem intensificado a repressão a grupos que promovem os direitos das mulheres, com o fechamento de organizações e banimentos de contas em redes sociais como WeChat e Weibo.

Repressão e Silenciamento

A repressão se intensificou nos últimos anos, com a ausência de mulheres no novo politburo, pela primeira vez desde 1997. O governo tem incentivado um retorno a valores tradicionais, enquanto mulheres são pressionadas a cumprir papéis como mães e esposas, especialmente em meio à preocupação com a queda da taxa de natalidade.

Ativistas, como Lü Pin, que fundou uma organização feminista influente, relatam que a discussão pública sobre direitos das mulheres é praticamente impossível. No último mês, mais de 1.300 contas em Weibo foram banidas por supostamente incitar antagonismo de gênero, refletindo um ambiente hostil para quem defende a igualdade de gênero.

Vozes Femininas em Risco

Mesmo com a censura, algumas vozes femininas ainda se destacam. A vlogger Wang Huiling, conhecida por suas abordagens sobre independência feminina, viu suas contas nas redes sociais serem excluídas. Ela afirma que seu trabalho visava compartilhar as lutas reais enfrentadas por mulheres em áreas rurais. Sua autobiografia, que retrata suas experiências, também foi banida de reimpressão.

A situação das feministas na China é complexa, com um aparente paradoxo entre os avanços celebrados pelo governo e a repressão contínua a vozes que buscam a igualdade. A conferência global de mulheres, portanto, se torna um palco de contradições, onde os discursos de progresso coexistem com a realidade do silenciamento.

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