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Bolívia vota no segundo turno que a levará à direita

Bolívia realiza o segundo turno entre o candidato Paz Pereira e Jorge Quiroga; cenário de virada à direita e possível retorno da guerra às drogas

A staff member at the electoral logistics distribution centre in La Paz. Whoever takes office on 8 November will face the country’s worst economic crisis in four decades. Photograph: Martin Bernetti/AFP/Getty Images
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  • No oito de novembro, Bolívia irá às urnas para a primeira eleição presidencial em runoff, entre Rodrigo Paz Pereira e Jorge “Tuto” Quiroga, marcando um afastamento do MAS e de Evo Morales.
  • O MAS sofreu derrota nas eleições anteriores, com Luis Arce não concorrendo; o ministro do Interior, Eduardo del Castillo, obteve apenas três por cento dos votos.
  • A eleição reacende a discussão sobre uma possível retomada da política de “guerra às drogas”; o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, elogiou o pleito e especialistas apontam a coca como tema central nas negociações com os EUA.
  • A Bolívia enfrenta inflação de vinte e cinco por cento e escassez de dólares, o que impacta a logística eleitoral e pode exigir empréstimos internacionais, com possível exigência de retorno da DEA (Administração de Controle de Drogas).
  • Evo Morales permanece influente em Chapare, com mobilizações para protegê-lo de mandado de prisão; ambos os candidatos afirmaram que, se eleitos, irão cumprir a ordem, enquanto Aquilardo Caricari defende o uso tradicional da coca e ressalta dificuldades logísticas para os produtores.

Bolívia se prepara para um momento decisivo em sua história política. No próximo dia 8 de novembro, os cidadãos irão às urnas para a primeira eleição presidencial em runoff, que coloca frente a frente o senador de centro-direita Rodrigo Paz Pereira e o ex-presidente Jorge “Tuto” Quiroga. A votação marca um deslocamento significativo à direita após quase 20 anos sob o governo do Movimento ao Socialismo (MAS), liderado por Evo Morales.

O MAS, que dominou a política boliviana desde 2005, sofreu uma derrota expressiva nas eleições anteriores, com o atual presidente, Luis Arce, optando por não concorrer. O partido viu seu candidato, o ministro do Interior, Eduardo del Castillo, obter apenas 3% dos votos. A nova configuração política pode sinalizar uma mudança nas abordagens em relação à cultura da coca, que é regulamentada em algumas regiões, mas também alvo de tensões entre cultivo e tráfico.

Possíveis Mudanças na Política de Drogas

A eleição traz à tona a possibilidade de um retorno à política de “guerra às drogas”. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, elogiou a eleição como um desenvolvimento promissor, destacando que ambos os candidatos desejam fortalecer as relações com os Estados Unidos. Especialistas, como o cientista político José Orlando Peralta, indicam que a produção de coca será um tema central nas negociações do novo presidente com os EUA.

Além disso, a Bolívia enfrenta uma severa crise econômica, com inflação anual de 25% e escassez de dólares. Essa crise impacta até mesmo a logística eleitoral, com veículos responsáveis pela distribuição de urnas enfrentando dificuldades para abastecimento. A necessidade de empréstimos internacionais pode levar a exigências, como o retorno da DEA (Administração de Controle de Drogas dos EUA), que foi expulsa em 2008 durante o governo de Morales.

A Influência de Evo Morales

Evo Morales continua a ser uma figura central em Chapare, onde sua influência é mantida por centenas de agricultores de coca. Recentemente, houve mobilizações para protegê-lo de um mandado de prisão. A região de Chapare, junto com os Yungas, é um dos principais locais de cultivo de coca no país, e a legalidade do seu uso para fins tradicionais e culturais é amplamente reconhecida.

Ambos os candidatos, Paz Pereira e Quiroga, já afirmaram que, se eleitos, irão cumprir o mandado de prisão contra Morales, o que intensifica a tensão na região. Aquilardo Caricari, líder da maior união de indígenas e produtores de coca, defende que a maior parte da produção é destinada ao uso pessoal e que a criminalização do cultivo é um erro, ressaltando a complexidade do mercado e as dificuldades logísticas enfrentadas pelos agricultores.

A Bolívia se encontra em uma encruzilhada, onde as decisões tomadas nas próximas semanas poderão redefinir não apenas a política interna, mas também o futuro das relações internacionais do país.

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