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Fenômeno dos ‘Brasiguaios’ desloca mais de 260 mil brasileiros para o Paraguai

Imigração entre os países já era comum desde a década de 1970 após aproximação das nações

O custo de vida no Paraguai é estimado em ser até 2119% mais baixo que o do Brasil - Foto: Reprodução/Camisa 12
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  • O Paraguai, que faz fronteira com o Brasil, é conectado pelo projeto da Ponte da Amizade, inaugurada em mil novecentos e sessenta e cinco.
  • A imigração de brasileiros para o Paraguai, que já chega a aproximadamente 263 mil, começou durante a ditadura de Alfredo Stroessner, entre mil novecentos e cinquenta e quatro e mil novecentos e oitenta e nove.
  • Fatores como custos mais baixos de vida e educação atraem brasileiros, especialmente estudantes de medicina, que pagam mensalidades entre R$ 1,2 mil e R$ 1,9 mil, em comparação com cerca de R$ 8 mil no Brasil.
  • O Paraguai oferece um sistema tributário favorável, com impostos baixos e isenção sobre heranças e doações, além de um processo de regularização mais ágil para imigrantes.
  • Apesar das vantagens, o país enfrenta desafios como a pobreza, com 27% da população nessa condição, e problemas climáticos que afetam a agricultura.

O Paraguai é um dos países que fazem fronteira com o Brasil, principalmente através da chamada “Ponte da amizade”, financiada pelo Brasil e que aproximou ainda mais os dois países. Essa ponte, inaugurada em 1965, marcou uma relação que hoje é responsável pela imigração de aproximadamente 263 mil brasileiros para o país em um processo silencioso, mas que transformou o Paraguai na segunda casa dos brasileiros na América Latina.

Como tudo começou?

Tudo começou durante o período ditatorial do Paraguai, imposto por Alfredo Stroessner entre 1954 e 1989. Na época, o país buscava se aproximar do Brasil para impulsionar seu desenvolvimento econômico, e foi desse esforço que surgiram a Ponte da Amizade e a Usina de Itaipu, uma das maiores hidrelétricas do mundo, localizada no rio Paraná, na fronteira entre os dois países.

Antes mesmo do fim da ditadura, nas décadas de 1970 e 1980, muitos brasileiros já se mudavam para o Paraguai, principalmente para plantar soja e milho em terras mais baratas do que as disponíveis no Brasil. Foi desse movimento que surgiu o termo “brasiguaio”, ainda tão relevante hoje quanto na época.

Mesmo após o fim da ditadura, o Paraguai continuou a atrair brasileiros, e nos anos 2000 ofereceu incentivos fiscais, impostos baixos e políticas industriais que favoreceram principalmente as empresas do Brasil.

Além disso, outro fator importante na relação entre os dois países foi a Lei Maquila, criada em 1997 e aplicada nos anos 2000, que reduziu impostos para empresas que produzem no Paraguai e exportam para outros países, resultando em mais de 70% das exportações paraguaias para o Brasil vindo desse sistema.

Os principais motivos da imigração atual

Atualmente, vários fatores continuam a atrair brasileiros para o Paraguai, mesmo anos após as leis e tratados estabelecidos entre os dois países, refletindo uma relação duradoura, em que o Paraguai parece cada vez mais ganhar destaque em relação ao Brasil e se tornar o novo destino dos brasileiros na América Latina.

Um dos principais motivos, voltado a um grupo específico, envolve os estudantes de medicina, com mais de 30 mil brasileiros já indo para o Paraguai apenas para estudar. A escolha não se baseia em prestígio, como em intercâmbios comuns, mas no custo, já que a mensalidade de uma faculdade de medicina no Paraguai varia entre R$1,2 mil e R$1,9 mil, enquanto no Brasil a média chega a cerca de R$8 mil.

Mas não é só nas faculdades de medicina que os brasileiros encontram custos menores, o custo de vida no Paraguai é bem inferior ao do Brasil, com diferenças que chegam a 2.119%, e as contas de luz e gás podendo ser até 743% mais baratas, por exemplo.

Além disso, algo que está impactando muito a vida dos brasileiros atualmente são os impostos, principalmente de produtos vindos do exterior. No Paraguai a história é diferente, já que lá é usado o modelo “10-10-10”:

  • 10% de imposto de renda para pessoas físicas,
  • 10% para empresas,
  • 10% de IVA (como o ICMS).

Junto disso, não há impostos sobre heranças, doações ou rendimentos vindos do exterior e graças à Lei Maquila as exportadoras pagam só 1% sobre o faturamento, enquanto no Brasil as taxas podem chegar a 34%.

A facilidade para se regularizar no país também é algo que chama a atenção dos brasileiros, sendo bem mais fácil do que em países como os EUA ou Canadá. Entre 1,5 a 4 meses no país, o brasileiro já pode adquirir residência temporária, com a permanente após 1 ano e 9 meses e a cidadania após 3 anos como residente permanente.

O paraíso de energia elétrica do Paraguai

De acordo com os últimos relatórios da Olade, em 2020 a energia hidrelétrica fornecia 100% da eletricidade do Paraguai e cerca de metade do total de energia do país, enquanto biocombustíveis e petróleo importado respondiam pelo restante. E em 2022 ele se tornou o primeiro país do mundo com geração de energia elétrica 100% renovável.

A energia elétrica é hoje um dos principais destaques do Paraguai, principalmente por suas usinas hidrelétricas, como a já mencionada Itaipu, a maior em produção de energia e em geração de energia limpa e renovável do mundo, além da usina de Yacyretá, compartilhada com a Argentina.

No Paraguai, o custo industrial de energia elétrica é de US$39/MWh, uma das mais baratas da América Latina, enquanto a do Brasil é de aproximadamente US$123/MWh.

Os desafios de se morar no Paraguai

Porém, para quem se sente tentado a se mudar para o Paraguai e deixar o Brasil deve ter em mente que o país não é uma utopia e, como qualquer outro, enfrenta diversos problemas e desafios.

A pobreza é um dos grandes desafios do país, com 27% da população vivendo nessa condição, e o país ocupa o 136º lugar no ranking mundial de percepção de corrupção, enquanto o Brasil está em 104º.

Quem pretende atuar no setor agrícola deve considerar a vulnerabilidade climática do país, já que plantações e atividades relacionadas estão sujeitas a secas severas e inundações.

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