- Conselho de Segurança da ONU vota nesta quinta-feira sobre a MINURSO, missão da ONU para o referendo no Saara Ocidental.
- Os Estados Unidos apresentaram texto defendendo autonomia do Saara Ocidental sob soberania de Marrocos como única opção, em detrimento do referendo defendido pelo Polisário.
- Argélia ameaça boicotar a votação caso a autonomia seja a única alternativa; o Polisário afirma que não participa de processo sem autodeterminação.
- A MINURSO pode ter mandato reduzido para três ou seis meses para acelerar as negociações.
- A votação ocorre a uma semana do cinquenta aniversário da Marcha Verde, que abriu caminho à ocupação marroquina em mil setecentos e setenta e cinco, elevando as tensões na região.
O Conflito no Saara Ocidental entre Marrocos e o Polisário entra em uma nova fase decisiva nesta quinta-feira, com uma votação no Conselho de Segurança da ONU. A reunião ocorre a uma semana do 50º aniversário da Marcha Verde, que levou à ocupação marroquina do território em 1975. Os Estados Unidos, sob a administração Biden, apresentaram um texto que sugere a autonomia do Saara sob a soberania de Marrocos como a única solução viável, em detrimento do referendo de autodeterminação defendido pelo Polisário.
A proposta norte-americana tem gerado tensões, especialmente com a Argélia, que ameaça boicotar a votação caso a autonomia seja a única opção apresentada. O Polisário, por sua vez, já manifestou que não participará de qualquer processo que não inclua a autodeterminação. A MINURSO, missão da ONU para o referendo, pode ter seu mandato reduzido para três ou seis meses, visando acelerar as discussões.
Pressão Diplomática
A proposta dos EUA busca mudar o status quo estabelecido desde 1991, quando a MINURSO foi criada. Washington espera obter o apoio de pelo menos nove dos quinze membros do Conselho de Segurança e evitar vetos de potências permanentes como China e Rússia. O envio de tropas e observadores pela MINURSO inclui 226 civis e 245 militares, que atuam na monitorização do cessar-fogo.
A situação no Saara Ocidental é complexa, com o Polisário rompendo o cessar-fogo em 2020 e realizando ataques esporádicos contra as forças marroquinas. As negociações diretas entre Marrocos e o Polisário estão paralisadas desde 2017. A presença de milhares de refugiados saharauis em Tinduf, na Argélia, agrava a crise humanitária na região.
Apoios e Desafios
Atualmente, mais de 120 países apoiam o plano de autonomia proposto por Marrocos, enquanto 84 nações reconhecem a República Árabe Saharaui Democrática. O Polisário é considerado pela ONU um movimento de libertação nacional e possui representação em vários países, incluindo a Espanha. A próxima votação no Conselho de Segurança será crucial para definir os rumos do Saara Ocidental e da relação entre Marrocos e o Polisário.
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