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Alemanha busca acordo com os talibãs para agilizar expulsões de afegãos

Governo alemão negocia com talibãs para acelerar deportações de afegãos com crimes graves; altos funcionários foram a Kabul e aceitaram dois diplomatas afegãos na Alemanha

Marc Bassets
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  • O governo alemão negocia diretamente com os talibãs para acelerar a deportação de migrantes afegãos, buscando um acordo que permita repatriação de imigrantes com crimes graves, sem reconhecer o regime.
  • Alto escalão foi enviado a Cabul para discutir a logística das deportações, e Berlim aceitou a presença de dois diplomatas afegãos; objetivo é criar um sistema regular de expulsões, em vez de operações esporádicas.
  • Em agosto de dois mil e vinte e quatro foram deportados 28 afegãos; em julho de dois mil e vinte e cinco, 81; as ações contaram com mediação do Qatar, mas agora o país negocia diretamente com os talibãs.
  • O ministro do Interior, Alexander Dobrindt, disse que a pretensão é devolver ao Afeganistão pessoas com crimes graves, ressaltando que não se trata de troca, e sim de uma necessidade de segurança; o chanceler Friedrich Merz lidera as conversas.
  • O debate ocorre em meio ao crescimento de apoio à AfD (Alternativa para a Alemanha), com cerca de quatrocentos mil afegãos vivendo no país, o que amplia a pressão por uma política migratória mais rígida e levanta questões sobre direitos humanos.

O governo alemão está em negociações diretas com os talibãs para acelerar a deportação de migrantes afegãos. O chanceler Friedrich Merz busca um acordo que permita a repatriação de imigrantes com crimes graves na Alemanha. Essa iniciativa surge em meio a um contexto político delicado, onde a extrema direita, representada pela Alternativa para Alemanha (AfD), ganha força.

As conversas em andamento visam estabelecer um sistema regular de expulsões, ao invés das operações esporádicas realizadas anteriormente. Em agosto de 2024, 28 afegãos foram deportados, seguidos por 81 em julho de 2025. Essas ações contaram com a mediação do Qatar, mas agora a Alemanha pretende tratar diretamente com os talibãs, mesmo sem reconhecer oficialmente o regime.

Acordo em Perspectiva

Recentemente, altos funcionários alemães foram enviados a Cabul para discutir a logística das deportações. Além disso, a Alemanha aceitou a presença de dois diplomatas afegãos em seu território. O ministro do Interior, Alexander Dobrindt, afirmou que o objetivo é devolver ao Afeganistão pessoas com crimes graves, ressaltando que não se trata de uma troca, mas de uma necessidade de segurança.

A situação gera preocupações entre afegãos residentes na Alemanha e veteranos da guerra no Afeganistão. O possível retorno dos talibãs à cena diplomática levanta questões sobre a legitimidade do regime e os direitos humanos, especialmente em relação às mulheres. A ativista Patoni Teichmann destacou que a normalização das relações pode criar um precedente perigoso, permitindo que outros países ocidentais adotem uma postura semelhante.

Contexto Político

O governo atual busca conter a crescente popularidade da AfD, que se alimenta do medo da imigração descontrolada. O acordo de coalizão entre os democratas cristãos e os social-democratas inclui a promessa de expulsões de imigrantes considerados perigosos. Com cerca de 400 mil afegãos vivendo na Alemanha, a pressão por uma política migratória mais rigorosa se intensifica, refletindo as preocupações da sociedade em um cenário de instabilidade política.

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