- Lilian Kopke, pianista brasileira que vive em Portugal há quase quatro décadas, teve o direito de residência vencido em 15 de janeiro de 2025 e não conseguiu renovar o visto devido à falta de resposta da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA); sem documento válido, pode ser barrada ao deixar o país.
- Ela chegou a Portugal em 1987 para estudar música e, ao longo dos anos, enfrentou entraves administrativos, discriminação profissional por ser brasileira e situações de precariedade burocrática; leciona no Conservatório Nacional.
- A regularização foi possível com apoio da Embaixada do Brasil, mas, mesmo assim, mantém uma autorização de residência permanente e relata constantemente discriminação.
- Ela não pediu a nacionalidade portuguesa, mantendo-se sob o Tratado de Porto Seguro, e afirma que é difícil ser totalmente aceita; avalia retornar ao Brasil diante da incerteza.
- A situação de Lilian reforça falhas administrativas que afetam imigrantes em Portugal, apesar de quase quarenta anos de atuação na área cultural e educacional.
A pianista brasileira Lilian Kopke, que vive em Portugal há quase quatro décadas, enfrenta sérias dificuldades burocráticas. Com seu direito de residência vencido desde 15 de janeiro de 2025, Lilian não conseguiu renovar seu visto devido à falta de resposta da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA). A situação se agrava, pois, sem um documento válido, ela pode ser barrada ao tentar deixar o país.
Lilian chegou a Portugal em 1987 para estudar música e, desde então, tem enfrentado uma série de obstáculos administrativos. Em entrevista, ela relatou que a AIMA não localiza seus dados e que não há respostas aos seus pedidos. “Só resta dormir na porta da AIMA — e eu não vou fazer isso”, desabafou. A pianista, que leciona no Conservatório Nacional, compara sua situação atual com as dificuldades que encontrou nos anos 80, quando precisou entrar no país como turista devido a problemas com o visto.
Dificuldades Persistentes
A trajetória de Lilian em Portugal inclui desafios relacionados à sua nacionalidade. Após conseguir a regularização com a ajuda da Embaixada do Brasil, ela conquistou a autorização de residência permanente, mas ainda enfrenta discriminação por ser brasileira. “O preconceito persistiu”, afirmou. Apesar de ter construído uma carreira sólida, ela se sente sempre como uma “estrangeira”.
Lilian optou por não solicitar a nacionalidade portuguesa, preferindo manter-se sob o Tratado de Porto Seguro, que garante igualdade de direitos entre brasileiros e portugueses. “Escolhi viver aqui sem pedir a nacionalidade porque sempre senti que é muito difícil ser totalmente aceito”, explicou. Agora, diante da incerteza sobre sua situação, ela considera retornar ao Brasil.
Com quase quatro décadas de ensino e produção cultural em Portugal, Lilian expressa gratidão por sua trajetória, mas também frustração com as dificuldades que ainda enfrenta. A situação atual destaca falhas administrativas que impactam a vida de muitos imigrantes no país.
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