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Contrabando de combustível autorizado pelo Estado custou 20 bilhões à Líbia em três anos

Relatório da Sentry aponta US$ 20 bilhões em perdas por contrabando de combustível na Líbia (2022–2024); importação chega a 41 milhões de litros/dia; NOC abandona swap em 2025

An oil refinery in Ras Lanuf, Libya. Some of Libya’s fuel has been smuggled into Sudan where it has prolonged the civil war, the report states.
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  • Relatório da The Sentry aponta que o contrabando de combustível, sancionado pelo estado na Líbia, gerou uma perda de cerca de US$ 20 bilhões entre 2022 e 2024, impulsionado pela corrupção entre líderes políticos e de segurança.
  • Desde 2021, mudanças na liderança da Companhia Nacional de Petróleo da Líbia aumentaram as importações de combustível de 20,4 milhões de litros por dia para mais de 41 milhões de litros por dia até o fim de 2024, com mais da metade desviada para redes criminosas.
  • Em 2024, estima-se que mais de US$ 6,7 bilhões em combustível foram contrabandeados, o que poderia ter triplicado os gastos do país com saúde e educação.
  • O contrabando também afetou o Banco Central da Líbia, comprometeu a receita da NOC e destinou combustível a Sudão, Chade e Tunísia, agravando crises locais.
  • A Sentry pediu investigação com apoio ocidental e ajuda internacional; a NOC disse ter abandonado o sistema de troca em março de 2025; Farhat Bengdara defendeu transparência na gestão e apresentou propostas para reduzir a dependência de diesel subsidiado.

Relatórios recentes indicam que o contrabando de combustível na Líbia, sancionado pelo estado, causou uma perda de cerca de 20 bilhões de dólares entre 2022 e 2024. A pesquisa, realizada pelo grupo de investigação The Sentry, destaca como a corrupção entre líderes políticos e de segurança está no cerne dessa prática ilegal, que tem sido um problema crônico no país.

Desde 2021, após mudanças na liderança da Companhia Nacional de Petróleo da Líbia (NOC), o volume de combustível importado aumentou drasticamente. O NOC, que é um dos poucos órgãos estatais que atravessa as divisões entre os dois governos rivais do país, passou a trocar petróleo cru por combustíveis refinados, que eram revendidos no exterior, em vez de serem utilizados internamente a preços subsidiados.

Aumento no Contrabando

O relatório revela que as importações de combustível saltaram de cerca de 20,4 milhões de litros por dia em 2021 para mais de 41 milhões de litros por dia até o final de 2024. Essa escalada não é justificada por um aumento na demanda interna, levando a Sentry a afirmar que mais da metade do combustível importado foi desviado para lucros privados de redes criminosas. Em 2024, estima-se que mais de 6,7 bilhões de dólares em combustível foram contrabandeados, o que poderia ter triplicado os gastos do país com saúde e educação.

Além disso, a prática de contrabando não apenas privou o Banco Central da Líbia de receitas essenciais, mas também comprometeu a integridade da NOC, cuja receita é crucial para a economia líbia. O combustível contrabandeado tem sido destinado a países como Sudão, Chade e Tunísia, exacerbando crises locais e prolongando conflitos.

Demandas por Investigação

A Sentry pede uma investigação apoiada pelo Ocidente sobre os oficiais da NOC envolvidos no contrabando e clama por ajuda internacional para que as autoridades líbias possam identificar os responsáveis por essa pilhagem. A NOC anunciou que abandonou o sistema de troca em março de 2025, mas especialistas afirmam que o país ainda importa mais combustível do que realmente necessita. O ex-presidente da NOC, Farhat Bengdara, defendeu a transparência da empresa durante sua gestão e apresentou propostas para reduzir a dependência de diesel subsidiado na geração de eletricidade.

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