Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

O “safári humano” de Sarajevo: quando turistas pagavam para matar durante a guerra

Durante o cerco de Sarajevo, investigações apontam que turistas europeus pagavam para atirar em civis, tratando a guerra como uma forma de entretenimento

Imagem: Creative Commons
0:00
Carregando...
0:00
  • Sarajevo, capital da Bósnia e Herzegovina, sofreu o maior cerco militar da história moderna, iniciado em abril de mil novecentos e noventa e dois.
  • O cerco durou mil quatrocentos e vinte e cinco dias, após a Bósnia declarar independência da Iugoslávia, resultando na morte de mais de dez mil civis.
  • Investigações recentes em Milão reabriram o debate sobre o envolvimento de cidadãos comuns em crimes de guerra, com denúncias de um “safári humano” durante o cerco.
  • Turistas europeus supostamente pagavam a militares sérvios para atirarem contra a população de Sarajevo, com uma “tabela de preços” para assassinatos.
  • O cerco terminou em mil novecentos e noventa e cinco, após a intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), que levou ao Acordo de Dayton.

Sarajevo, capital da Bósnia e Herzegovina, foi local do maior cerco militar da história moderna, em abril de 1992. Essa ação foi um resultado direto da Guerra da Bósnia (1992-1995), um conflito territorial e étnico entre bosníacos, sérvios e croatas, que, por sua vez, foi desencadeado pelo colapso da Iugoslávia.

O cerco ocorreu logo após a Bósnia declarar sua independência da Iugoslávia, durando 1425 dias. Este bloqueio cortou acesso a alimentos, água, eletricidade e medicamentos, causando uma crise extrema e resultando na morte de mais de 10 mil civis, incluindo crianças.

As forças sérvias da Bósnia se posicionavam nas colinas ao redor e submetiam a cidade a bombardeios e fogo de franco-atiradores.

Safári humano

Contudo, investigações apontam que esses franco-atiradores podem não ter sido apenas militares. Uma apuração recente da justiça de Milão, na Itália, reabriu o debate na Europa sobre o envolvimento de cidadãos comuns nos crimes de guerra, apurando denúncias de um “safári humano” durante o cerco.

Segundo as acusações, turistas europeus pagavam aos militares sérvios para serem levados às colinas que cercavam Sarajevo. Desses lugares mais altos, eles atiravam contra a população civíl da cidade. A investigação, que conta com um relatório da ex-prefeita de Sarajevo, Benjamina Karic, aponta que havia até mesmo uma “tabela de preços” pelos assassinatos, onde crianças custavam mais que adultos, e idosos podiam ser mortos gratuitamente.

Alguns livros e documentários já haviam relatado a participação de estrangeiros nesse esquema. A justiça italiana já levantou nomes de testemunhas que serão convocadas para depor. Entre elas estão um ex-funcionário da inteligência da Bósnia, um oficial esloveno, um bombeiro e os pais de uma bebê de um ano que foi morta no “Beco dos Atiradores”.

A história ganhou nova repercussão com o lançamento do documentário “Sarajevo Safari” (2023), do diretor esloveno Miran Zupanic, que trouxe à tona histórias e depoimentos sobre esse período. Os eventos também foram denunciados pelo escritor Ezio Gavazzeni, que contou com o auxílio do advogado Nicola Brigida e do ex-juiz e advogado Guido Salvini.

Sarajevo sobreviveu em parte graças a um túnel clandestino (Túnel da Esperança) e o cerco só terminou após a intervenção militar da OTAN em 1995, que forçou as negociações do Acordo de Dayton.

Relacionados:

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais