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Os atentados de Paris: uma noite de terror em 2015

Explosões, fuzilamentos e ataques suicidas deixaram 130 mortos e mais de 350 feridos na capital francesa

Foto: Reprodução
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  • Na noite de 13 de novembro de 2015, a França sofreu uma série de ataques terroristas que resultaram em 130 mortos e 350 feridos.
  • Os ataques começaram às 21h20, com um homem-bomba tentando entrar no Stade de France, seguido por ataques a bares e restaurantes em Paris.
  • O ataque mais letal ocorreu no teatro Bataclan, onde três homens armados mataram 89 pessoas durante um show.
  • O então presidente François Hollande decretou estado de emergência e as forças de segurança realizaram operações em Saint-Denis, resultando na morte do mentor dos ataques, Abdelhamid Abaaoud.
  • O único sobrevivente do grupo, Salah Abdeslam, foi capturado na Bélgica e condenado à prisão perpétua. O julgamento dos envolvidos começou em setembro de 2021.

Na noite de 13 de novembro de 2015, a França foi alvo de uma série de ataques terroristas coordenados e simultâneos. As ações tiveram explosões, atentados suicidas e fuzilamentos que resultaram em 130 mortos e 350 feridos.

Os ataques começaram às 21h20, nas proximidades do Stade de France, em Saint-Denis, ao norte de Paris. Um homem-bomba tentou entrar no estádio, mas foi barrado por seguranças e detonou o cinto de explosivos, matando um pedestre. No momento, cerca de 80 mil torcedores assistiam à partida entre França e Alemanha. Outros terroristas também usaram dispositivos explosivos ao longo da noite.

Cinco minutos depois, um grupo de homens armados atacou bares e restaurantes nos 10º e 11º distritos de Paris. O primeiro alvo foi o bar Le Carillon, onde os criminosos abriram fogo com fuzis de assalto AK-47. Em seguida, foram em direção ao restaurante cambojano Le Petit Cambodge. O ataque durou poucos minutos, mas deixou 15 mortos e mais de 10 feridos.

Às 21h30, um segundo homem-bomba se explodiu em outra entrada do Stade de France, sem causar vítimas. Apesar da tensão, a partida continuou para evitar pânico entre os torcedores, e o então presidente François Hollande foi evacuado do local.

Dois minutos depois, os ocupantes de um carro modelo *Seat León preto* seguiram para o 11º distrito e dispararam contra estabelecimentos na Rue de la Fontaine au Roi, atingindo o restaurante La Casa Nostra Bonne Bière e uma lavanderia. Cinco pessoas morreram e oito ficaram feridas.

Às 21h36, os atiradores chegaram ao bar La Belle Équipe, onde o terraço estava lotado. Os disparos deixaram 19 mortos e 9 feridos graves. Quatro minutos depois, às 21h40, outro homem-bomba detonou seu cinto em frente ao café Comptoir Voltaire, ferindo uma pessoa.

Enquanto isso, do outro lado do Boulevard Voltaire, ocorria o ataque mais letal da noite, no teatro Bataclan. Durante o show da banda norte-americana Eagles of Death Metal, três homens armados invadiram o local e abriram fogo contra o público de mais de 1.500 pessoas. Alguns conseguiram escapar, mas dezenas foram feitas reféns. Testemunhas relataram que os agressores gritavam “Allāhu akbar” (“Deus é o maior”) durante o ataque.

Cerca de duas horas depois do cerco, por volta da 0h20, a polícia francesa invadiu o teatro. Dois terroristas detonaram seus cintos explosivos, enquanto o terceiro foi morto após ter o cinto detonado ao ser atingido por tiros. O saldo final foi de 89 mortos e dezenas de feridos.

No Stade de France, os torcedores começaram a perceber a gravidade do que ocorria fora do estádio. Às 21h53, mais um homem-bomba detonou seu cinto nas proximidades do local. O jogo seguiu até o fim para evitar tumulto, e muitos torcedores, sem saber para onde ir, invadiram o campo. A evacuação só foi concluída por volta das 23h30.

Motivos

De acordo com Victor Mendes, professor de Relações Internacionais do Ibmec e especialista formado no Instituto Superior de Guerra do Ministério da Defesa, a França foi escolhida como alvo dos atentados de 2015 por causa de sua participação em operações militares no Iraque e na Síria, que visavam enfraquecer o Estado Islâmico. Além disso, Mendes destaca o passado colonial francês em regiões do Magreb e em países como Marrocos, Tunísia, Argélia e Mauritânia. Segundo ele, essa herança histórica alimenta um sentimento de dívida moral e social, especialmente entre descendentes de imigrantes dessas nações.

O especialista também alerta que a França ainda corre risco de novos atentados, já que há combatentes franceses que se identificam com causas extremistas e permanecem dentro do país.

Consequências

No dia 16 de novembro de 2015, o então presidente François Hollande decretou estado de emergência e pediu ao Parlamento que aprovasse novas leis permitindo a cassação da cidadania de terroristas nascidos em território francês. Dois dias depois, as forças de segurança invadiram um prédio em Saint-Denis, nos arredores de Paris, onde estaria o suposto líder dos ataques. Durante a operação, um explosivo foi detonado e houve intensa troca de tiros por quase uma hora, resultando na morte de três pessoas e no desabamento de parte do edifício.

As autoridades confirmaram que o mentor dos atentados, Abdelhamid Abaaoud, estava entre os mortos. Sua prima, Hasna Ait Boulahcen, também morreu durante a ação, enquanto uma terceira vítima não identificada teria acionado o dispositivo suicida.

Meses depois, em 18 de março de 2016, o único sobrevivente do grupo que realizou os ataques, Salah Abdeslam, foi capturado na Bélgica após um confronto armado com a polícia e condenado à prisão perpétua. Nos anos seguintes, outros suspeitos foram detidos na Bélgica e na Alemanha. As investigações foram concluídas em 2019, e o julgamento dos 20 envolvidos começou apenas em 8 de setembro de 2021.

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