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Ex-primeira-ministra é condenada à morte em Bangladesh por repressão a protestos estudantis

Shaikh Hasina  diz que o tribunal é “enviesado” e afirma que buscará uma revisão justa do veredito

Imagem: Creative Commons
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  • A ex-primeira-ministra de Bangladesh, Shaikh Hasina, foi condenada à morte por crimes contra a humanidade.
  • O julgamento a considerou culpada por ordenar repressão violenta a manifestações de estudantes em 2022.
  • Os protestos surgiram contra um sistema de cotas que favorecia veteranos de guerra, resultando em mais de mil mortes, segundo a ONU.
  • Hasina, exilada na Índia, foi julgada à revelia em um tribunal especial em Daca, onde a acusação afirmou que ela deu ordens diretas para ações que causaram mortes e ferimentos em massa.
  • A ex-primeira-ministra classificou a condenação como “parcial e politicamente motivada” e pretende contestar as acusações em um tribunal justo.

Nesta segunda-feira, a ex-primeira-ministra de Bangladesh, Shaikh Hasina, foi condenada à morte por crimes contra a humanidade. Em julgamento, Hasina foi considerada culpada por ordenar uma repressão violenta às manifestações de estudantes no ano passado.

As manifestações foram contra um sistema de cotas do governo que favorecia veteranos de guerra em detrimento da população geral. Os protestos terminaram com forte repressão: mais de mil pessoas morreram e milhares ficaram feridas, segundo a ONU.

A crise, porém, começou meses antes, quando a ex-primeira-ministra garantiu um quarto mandato seguido em uma eleição boicotada pela oposição e amplamente criticada como fraudulenta. Os protestos iniciados por estudantes contra o sistema de cotas no serviço público rapidamente evoluíram para um movimento nacional que exigia sua renúncia.

Com as manifestações crescendo, Hasina endureceu o discurso, classificou os protestos como atos de terrorismo e autorizou prisões em massa. Um áudio vazado indicava que a premiê teria instruído as forças de segurança a usar armas letais contra civis desarmados. Ela nega todas as acusações e diz nunca ter ordenado esses disparos.

O julgamento ocorreu em um tribunal especial em Daca, e recebeu grande atenção pública. Hasina, exilada na Índia, foi julgada à revelia (sem a participação ativa do réu), enquanto apenas um dos acusados, o ex-chefe de polícia Abdullah al-Mamun, compareceu.

A acusação sustentou que Hasina teria dado ordens diretas para que forças do Estado, membros do Awami League (partido) e aliados executassem ações que resultaram em mortes em larga escala, feridos, violência contra mulheres e crianças e impedimento de atendimento médico aos sobreviventes. Para os promotores, a ex-primeira-ministra atuou como a “idealizadora, líder e autoridade máxima” por trás dessas violações.

A sala estava lotada e, ao ser anunciada a sentença de morte, houve aplausos dentro e fora do tribunal. Críticos da ex-líder celebraram o veredito em um protesto próximo. Hasina, porém, chama o processo de “farsa” e “tribunal canguru” (que ignora padrões de direito ou justiça), e que faz parte de uma série de ações do governo interino contra ex-integrantes do Awami League (partido da ex-premiê).

Resposta da ex-premiê

Hasina classificou a condenação como “parcial e politicamente motivada” e questionou a imparcialidade do tribunal. Ela afirmou que seu governo perdeu o controle durante os protestos estudantis, mas rejeitou a ideia de um ataque planejado contra civis. Disse ainda que não teve acesso adequado ao direito de defesa e que pretende contestar as acusações em uma corte que considere justa.

Representada por um defensor público nomeado pelo Estado, que pediu a absolvição, Hasina recebeu a sentença a poucos meses das eleições de fevereiro. Com seu partido, o Awami League, impedido de concorrer, há preocupação de que o veredito intensifique novos protestos antes da votação.

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