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O Papa visita pela primeira vez uma mesquita, mas não reza lá

Ao contrário de Bento XVI e Francisco, o Papa León XIV não rezou na Mesquita Azul e saiu após quinze minutos, sinalizando possível mudança nas relações Igreja-Islã

Íñigo Domínguez
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  • O papa León XIV visitou a Mesquita Azul de Istambul durante viagem à Turquia e Líbano, entrou pela primeira vez no templo sem momento de oração e saiu após cerca de quinze minutos.
  • Diferentemente de Bento XVI (2006) e Francisco (2014), que rezaram no local, o episódio pode indicar um novo rumo nas relações entre Igreja Católica e Islam ou ter sido decisão tomada durante a visita.
  • O programa oficial previa um “momento silencioso de oração”; o mufti indicou ter convidado o papa a rezar, mas ele seguiu a visita sem realizar o ato.
  • A Santa Sé disse apenas que o papa visitou a mesquita em silêncio, com espírito de recolhimento e respeito pela fé dos que allí se reúnem.
  • A situação deve ser questionada na coletiva de imprensa de retorno, já que pode gerar debates sobre o significado do gesto.

Durante a visita do Papa León XIV à Turquia, ele entrou na Mesquita Azul de Istambul, descalçou os pés e percorreu o templo sem realizar oração pública. O passeio durou cerca de 15 minutos e terminou sem momento de oração previsto no programa oficial.

Diferentemente de Bento XVI (2006) e Francisco (2014), que rezaram no local, o Pontífice não se ajoelhou nem fez prece em voz alta. A Santa Sé confirmou apenas que a visita ocorreu em espírito de silêncio e respeito pela fé dos presentes. O mufti da cidade informou ter convidado o Papa para um momento de oração, o que não se confirmou.

Contexto histórico mostra que encontros entre Vaticano e Islam costumam ser cuidadosamente calculados. Em 2006, Benedicto XVI entrou na Mesquita Azul e comentou depois sobre a oração, em meio a protestos. Em 2014, Francisco também rezou de modo silencioso, descrevendo a experiência como uma busca pela paz.

Mudança de rumo?

Estiveram presentes, além do Papa, o ministro turco de Cultura e Turismo, Mehmet Nuri Ersoy; o mufti de Istambul, Emrullah Tuncel; e o grande imã de Sultan Ahmed, Kurra Hafız Fatih Kaya. A decisão de não rezar pode indicar um ajuste no tom das relações Igreja-Islã ou ter sido uma escolha de momento durante a visita. Perguntas sobre o assunto devem surgir na coletiva de imprensa de retorno, prevista para a próxima semana.

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