- O governo do Canadá sinalizou apoio a um gasoduto que percorre Alberta e Colúmbia Britânica até o Pacífico, em meio a debates sobre impactos políticos, ambientais e econômicos.
- Estudos indicam falhas sísmicas ativas na região, incluindo o Rift da Cordilheira Rochosa, com tectônica costeira pouco compreendida e baixa instrumentação para monitorar terremotos e deslizamentos.
- Mapeamento de sonar de alta resolução identificou cerca de cento deslizamentos passados na Douglas Channel, alguns gigantescos e potencialmente catastróficos para comunidades e infraestrutura.
- O primeiro-ministro de British Columbia critica o processo de decisão, afirmando que os riscos recairiam sobre a província e comunidades indígenas, enquanto os lucros seriam majoritariamente de Alberta.
- especialistas ressaltam a necessidade de ampliar monitoramento geofísico e considerar riscos em projetos de infraestrutura com décadas de duração, mesmo que esses riscos sejam relativamente baixos.
O governo canadense aprovou, na semana passada, um gasoduto que atravessaria Alberta e Colúmbia Britânica até o Pacífico. O projeto enfrenta intenso debate sobre impactos políticos, ambientais e econômicos, especialmente diante de riscos geológicos pouco compreendidos na região.
Estudos recentes apontam falhas sísmicas ativas, incluindo o Rift da Cordilheira Rochosa, antes considerado extinto. A tectônica costeira permanece pouco compreendida e há deficiências na instrumentação para monitorar terremotos e deslizamentos ao longo do traçado proposto.
Mapeamento de sonar de alta resolução revelou cerca de 100 deslizamentos passados na Douglas Channel, alguns gigantescos, com potencial de afetar comunidades e infraestrutura. O primeiro-ministro de British Columbia critica o processo de decisão, dizendo que os riscos recairiam sobre BC e as populações indígenas locais.
Riscos geológicos e monitoramento
Especialistas destacam que duas falhas, incluindo o Rocky Mountain trench, podem ter atividade recente, aumentando o potencial de grandes abalos em áreas costeiras. A falta de monitoramento adequado eleva incertezas sobre a segurança da rota prevista e a viabilidade de deter desastres.
British Columbia mantém críticas sobre o fato de o governo federal não ter incluído seu aval em decisões relevantes, sobretudo pela possível passagem do gasoduto pelo território provincial. A percepção é de que os benefícios econômicos seriam concentrados em Alberta, enquanto os riscos recaem sobre BC e comunidades psi.
A Geological Survey do Canadá divulgou que a portosidade de mapas subaquáticos ajudou a identificar deslizamentos significativos no fiorde. Autores do estudo ressaltam a necessidade de considerar riscos geofísicos na fase de planejamento de obras com décadas de vida útil.
Contexto adicional
Especialistas comparam o cenário a outros casos históricos de eventos catastróficos em regiões fjordanas, onde a energia de grandes deslizamentos não se dissipa facilmente. Observa-se que a maior parte da instrumentação sísmica do país está concentrada na fronteira sul, próximo a centros populacionais, o que amplia incertezas para zonas remotas.
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