- Após a tomada de El Fasher pelo RSF, até 150 mil moradores permanecem desaparecidos, com corpos empilhados nas ruas e possibilidade de enterros coletivos ou incineração.
- Análises por satélite indicam fossas e áreas de queima recém-digidas para descarte de cadáveres, em uma cidade descrita como “cena de crime” em amplo saque.
- Pelo menos 60 mil pessoas teriam sido mortas na cidade, conforme briefing a deputados britânicos, com números ainda não confirmados.
- El Fasher fica isolada, sem acesso de organizações de direitos humanos, da ONU e de agências humanitárias; ataques anteriores incluem o camp Zamzam, sete milhas ao sul, há cerca de seis meses.
- A situação humanitária é crítica, com desnutrição severa entre quem conseguiu fugir, e há apelos por investigação completa e segurança para a entrega de ajuda.
El Fasher, capital de Noroeste de Darfur, ficou sob controle do RSF em outubro de 2023. Após o cerco de 500 dias, a cidade sofreu saques, cercos e denúncias de crimes contra civis, enquanto dezenas de milhares ficaram deslocados ou mortos. A situação gerou alarmes sobre acessos de ajuda humanitária.
Novas análises por satélite indicam até 150 mil moradores continuam desaparecidos desde a queda da cidade. Imagens mostram filas de corpos, áreas de cremação e fossas de descarte, sugerindo uma resposta rápida de eliminação de evidências.
Autoridades britânicas foram informadas de que, segundo relatos a membros do parlamento, pelo menos 60 mil pessoas teriam sido mortas na região em semanas recentes. Especialistas destacam o grau de gravidade e a dificuldade de verificação.
Os mercados de El Fasher aparecem vazios e indicam deslocamento de animais e fechamento de atividades comerciais. O estudo de Yale analisou imagens e concluiu que a cidade está quase sem população, com indícios de extermínio de grande escala.
Organizações internacionais, incluindo a ONU, permanecem sem acesso à cidade. A RSF não confirmou garantias de segurança para entrada de ajuda, o que impede avaliações independentes e o envio de assistência imediata.
Ameaçada pela fome, a população que escapou relata altos índices de desnutrição. Autoridades humanitárias dizem que o cenário exige resposta urgente, com pontos de passagem seguros para operações de socorro.
Zamzam camp e apelos por investigações
Relatos de Amnesty International apontam ataques da RSF ao campo de deslocados Zamzam, 12 km ao sul de El Fasher, com hostilização de civis, sequestros e destruição de infraestrutura. O grupo é acusado de possíveis crimes de guerra.
O relatório também solicita investigações independentes sobre as ações da RSF. Até o momento, fontes destacam que o RSF mantém o acesso limitado a organizações humanitárias e a equipes da ONU.
Especialistas chamam a atenção para a gravidade do que ocorreu em El Fasher, considerado por alguns como um dos piores crimes de guerra na atual conjuntura sudanesa, marcada por massacres étnicos e deslocamentos massivos.
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