- Art Basel Miami Beach sinaliza recuperação do mercado de arte após dois anos e meio de cautela, com expectativa de um novo ciclo de trinta anos.
- Entre os dois primeiros dias, as vendas somaram quase $5m, incluindo $1,1m pela pintura de Sam Gilliam, de 2020.
- A feira lançou a seção digital Zero 10 para NFTs e obras geradas por IA, com 48 expositores novos.
- A oferta de alto valor inclui uma pintura em tela de Warhol sobre Muhammad Ali, avaliada em $18m, enquanto o mercado primário permanece mais contido.
- O evento também trouxe o PDS, Pace Di Donna Schrader, focado no mercado secundário, e sinais de que o público está mais seletivo e as galerias ajustaram estratégias.
O Art Basel Miami Beach (ABMB) começa com sinais de recuperação no mercado de arte. Nos primeiros dias, a feira registra movimentos positivos, apesar de uma leitura cautelosa sobre o ritmo de compras. A sensação geral é de que o setor está entrando num novo ciclo.
A edição traz novidades relevantes: a seção digital Zero 10, voltada a NFTs e obras geradas por IA, e a participação de 48 galerias novas. Entre as obras de alto valor, destaca-se um retrato de Warhol associado a Muhammad Ali avaliado em 18 milhões de dólares.
Quem atua no setor aponta mudanças na dinâmica de compra e venda. Galeristas relatam público de abertura menor, mas vendas expressivas já aparecem em estandes históricos e nas novas propostas digitais. O interesse por obras de segunda mão também cresce.
Composição e mudanças de pauta marcam o ABMB, que ainda convive com incertezas de longo prazo no mercado primário. A inauguração da PDS, parceria entre Pace, Di Donna e Schrader, reforça o peso do mercado secundário na estratégia de comercialização.
Zero 10 se apresenta como tentativa de ampliar o alcance a público tech e de capturar novos compradores. A direção global da Art Basel vê o movimento como parte de um ecossistema mais amplo, com 13% de indivíduos de alto patrimônio dedicando parte de seus recursos à arte digital, segundo recente estudo.
Zero 10 e o foco digital
A seção digital registra resultados acelerados: uma instalação com cães robóticos vendida rapidamente e edições de NFTs associadas a cada robô. Além disso, obras geradas por projetos como Quine, da Larva Labs, aparecem em formatos mistos e atingem faixas de preço entre 25 mil e 45 mil dólares.
A aposta no digital busca equilibrar com o dinamismo do mercado histórico, onde peças de artistas consagrados ganham peso. Analistas destacam que a mudança de comportamento vem também da necessidade de enfrentar o recuo de compradores tradicionais.
Desempenho e perspectivas
O mercado secundário ganha relevância com vendas expressivas de obras de nomes já consolidados. Entre elas, destaca-se um Warhol com Muhammad Ali, vendido por 18 milhões de dólares, reportado como a maior venda da feira até o momento. A participação de galerias focadas em posições históricas é notada como estratégia de equilíbrio.
Glauber aponta que a pressão sobre preços de artistas de meia-idade, refletindo custos operacionais, está redefinindo o valor de obras com maior proveniência. Em contrapartida, galerias focadas em posições históricas relatam resultados atraentes, como 1,7 milhão de dólares em vendas de uma galeria dedicada a mulheres artistas do século XX.
A parceria PDS é apresentada como resposta a mudanças geracionais de riqueza e à necessidade de melhor aproveitamento de material existente. Essa aposta busca ampliar o alcance do mercado, com foco em obras de segunda mão de grande valor.
Entre na conversa da comunidade