- David Vigneault, ex‑chefe do CSIS, alertou ao Guardian sobre tentativas “industriais” da China de roubar novas tecnologias.
- Ele disse que o front mudou, atingindo universidades, setor privado e inovação, não apenas governos; a China é apontada como principal responsável.
- Segundo ele, Beijing usa ciberataques, agentes infiltrados e recrutamento entre docentes para obter tecnologias sensíveis com finalidade militar.
- Defende avaliações de segurança nacional em programas universitários sensíveis e a construção de soberania de dados por meio de nuvem soberana.
- Vigneault destacou a evolução do CSIS de terrorismo para política de grandes potências e a necessidade de cooperação e capacidades soberanas sem gerar estigmatização.
David Vigneault, ex-chefe do CSIS, disse ao Guardian que entidades hostis passaram a mirar universidades e empresas privadas com a mesma intensidade de governos. Em entrevista divulgada após sua saída, ele apontou uma escalada de ataques industriais para obter tecnologias sensíveis, movendo o front de ameaças para o setor público-privado.
O ex-diretor, que hoje trabalha na Strider, afirmou que o ataque recente de escala industrial promovido pela China envolve ciberataques, infiltração de agentes e recrutamento entre docentes universitários. Segundo ele, o objetivo é extrair inovações com aplicações militares para uso pela liderança chinesa.
Vigneault ressaltou a necessidade de avaliações de segurança nacional em programas universitários sensíveis que recebam funding público. Ele defendeu a soberania de dados e a criação de nuvens soberanas para controlar informações estratégicas, longe de depender de empresas estrangeiras.
O entrevistado mencionou ainda que a CSIS já concluiu interferência chinesa em eleições canadenses de 2019 e 2021, o que gerou polêmica política local. Em sua visão, a luta contra espionagem não deve ficar restrita a políticos, mas envolver toda a sociedade.
A mudança de foco, do governo para o setor privado, amplia o campo de atuação de espionagem, segundo ele. Ele comentou que ataques que visam pesquisas e inovações podem envolver recrutamento de funcionários, ou acesso a dados sensíveis de laboratórios.
Além disso, Vigneault afirmou que a cooperação entre países é crucial e defendeu o fortalecimento de capacidades nacionais para proteger dados. Ele ressaltou que a dependência de recursos externos, como energia, pode impactar a avaliação de risco de segurança.
No panorama internacional, o ex-diretor sugeriu cautela com políticas que possam gerar estigmatização de pesquisadores. Em sua leitura, a resposta adequada envolve distinguir ameaças da população, mantendo o foco na atuação do partido no poder.
Internamente, o alerta sobre soberania de dados está ligado à defesa de infraestrutura crítica e à ideia de que a informação deve permanecer sob controle nacional. Numa visão prática, isso envolve investimentos em tecnologia de nuvem própria e governança de dados.
Mudança de foco na ameaça
- O que mudou: ataques passaram a mirar universidades e empresas.
- Por que importa: impacto direto na inovação e na competitividade.
- Consequência: demanda por avaliações de segurança e soberania de dados.
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