- Brayan Palencia, colombiano naturalizado venezuelano, migrou para os Estados Unidos para sustentar a família e atravessou o Darién, pagando propina a cartéis no México.
- Em Calexico, ele foi detido e deportado para a Venezuela sob um acordo entre os governos de Donald Trump e Nayib Bukele, com a exigência de expulsão de supostos “enemigos estrangeiros” sem necessidade de prova.
- Palencia foi encaminhado ao Cecot, megacárcea de El Salvador, conhecida como “a ilha” de isolamento e tortura, onde ficou sob violações de direitos humanos, com ferimentos por gás, golpes e prisões com condições duras.
- A fuga da detenção ocorreu em julho, após protestos, greve de fome e ações contra a guarda; a liberação veio repentinamente e ele ficou em Bogotá, próximo aos pais, e perto da filha.
- De lá, ele voltou a morar na Colômbia e hoje trabalha como motorista de plataformas para sustentar a família; planeja retornar aos Estados Unidos se conseguir papéis, mas não pretende voltar a ficar preso.
Brayan Palencia, colombiano-nigeriano? não, caribenho? Na verdade, ele deixou a Colômbia com a filha para buscar sustento nos EUA. Cruzou Darién com a perna lesionada e pagou cárteles no México para seguir viagem. Em Los Angeles e Miami, fez diferentes trabalhos e pediu asilo.
Ao fim de quase um ano nos EUA, a cidadania não foi simples. Em janeiro, houve audiência em California. Palencia afirma ter sido preso sem aviso durante o interrogatório e levado a um centro de detenção em Calexico, sob alegação de vínculos com uma gangue.
Detenção, Cecot e remição
Relatos indicam que, junto a outros venezuelanos, foi informado de uma deportação para Venezuela sob acordo entre as administrações de Trump e Bukele. Descreveram a transferência como surpresa, com rota que incluiu paradas e encaminhamentos até o Cecot, centro de El Salvador.
No Cecot, a vida dos detidos era marcada por controles rígidos, isolamento e abusos. Palencia descreve noites sem sono, uso de gás, agressões com bolillos e golpes que deixaram feridas. A repressão incluía a chamada a ilha, celas de isolamento com pouca luz.
Retorno, recuperação e planos
A libertação ocorreu repentinamente, na madrugada de 18 de julho, e Palencia foi levado a um hotel perto de Caracas. O retorno foi fruto de um suposto acordo de troca entre governos, com presos venezuelanos trocando por migrantes. Hoje, ele vive em Bogotá, com a filha e os pais, tentando recomeçar.
Entre as consequências, o relato cita sequelas físicas e psicológicas: dói o braço, há problemas de sono e a diabetes conseguiu piorar. Ele trabalha como motorista de plataforma para sustentar a família e afirma que, se houver documentação, voltaria aos EUA, mas sem passar por novo encarceramento.
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