- O assessor de política externa do presidente brasileiro alertou que uma invasão à Venezuela poderia gerar um conflito na região semelhante ao Vietnam.
- Disse que a decisão de Donald Trump de fechar o espaço aéreo venezolano foi “ato de guerra” e que a crise pode se intensificar nas próximas semanas.
- O Brasil é contra mudança de regime pela força, reconhece problemas no veredito eleitoral, e não pretende pressionar Maduro a renunciar.
- Maduro poderia buscar refúgio em Cuba, Turquia, Qatar ou Rússia; o desfecho de sua saída ainda é incerto.
- Foi apresentada a ideia de um referendo de recall como possível saída, além de favorecer uma solução negociada entre Maduro e aliados, visando uma transição pacífica.
O assessor de política externa do governo brasileiro, Celso Amorim, disse ao Guardian que uma invasão dos EUA à Venezuela poderia transformar a região em um conflito de estilo Vietnam. Ele classificou a decisão de fechar o espaço aéreo venezuelano como ato de guerra.
Amorim alertou que a crise pode se intensificar nas próximas semanas e avaliou que o Brasil é contra mudança de regime à força, ainda que reconheça problemas na contagem de votos da eleição de 2024. O diplomata fez a ressalva de falar em caráter pessoal.
O brasileiro afirmou que a região não pode se tornar zona de guerra com envolvimento global, e que uma invasão real ocorreria com desdobramentos imprevisíveis. Disse ainda que mesmo adversários de Maduro poderiam resistir a uma intervenção estrangeira.
Indagado sobre o destino de Maduro caso haja queda, Amorim citou que Cuba, Turquia, Qatar e Rússia seriam possíveis refúgios. O objetivo é buscar uma solução negociada com Maduro e evitar uma transição abrupta.
O assessor sugeriu a realização de um referendo de recall como saída para a crise, lembrando uma experiência de 2004 na Venezuela. Ele apontou que uma transição ordenada pode exigir tempo, similar ao processo de abertura democrática no Brasil entre 1974 e 1985.
Na prática, o clima entre Brasil e Venezuela diminuiu desde debates sobre a legitimidade da vitória de Maduro. Amorim ressaltou que o Brasil não pretende impor a saída de Maduro e mantém uma posição de não intervenção.
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