- Em 2024, a Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA) estimou quase meio milhão de brasileiros residindo em Portugal, mas a contagem não incluía dupla cidadania, residência em tramitação ou moradores ilegais.
- No final de agosto, um panificador de Aveiro ofereceu 500 euros por cabeça de brasileiro; o vídeo com a promessa viralizou e ele foi demitido da padaria, que repudiou o racismo.
- O homem, João Paulo Silva Oliveira, foi detido pela Polícia Judiciária em oito de setembro e liberado 24 horas depois com proibição de acessar redes sociais; responderá por apologia da violência e incitação ao homicídio.
- Em outubro, Bruno Silva, de 30 anos, teve prisão preventiva decretada em Lisboa por incitar ataques a brasileiros e ameaçar a jornalista Stefani Costa; já havia feito ameaças anteriores.
- Especialistas destacam aumento da xenofobia e das denúncias de discriminação contra imigrantes, com brasileiros sendo o grupo mais visado, trazendo impactos à vida diária e ao debate público.
Cento e tantos mil brasileiros viviam em Portugal em 2024, segundo a AIMA. A contagem não incluía dupla nacionalidade, autorização de residência em tramitação ou moradores ilegais, o que sugere subnotificação.
Um panadero em Aveiro ofereceu 500 euros por cada cabeça de brasileiro, gravando vídeo que circulou nas redes. A panificação onde trabalhava demitiu o trabalhador e afastou-se publicamente de qualquer racismo. O caso ganhou repercussão nacional.
O homem foi detido pela Polícia Judiciária em 8 de setembro e liberado 24 horas depois com proibição de acessar redes sociais. O Ministério Público investiga apologia de violência e incitação ao assassinato.
Casos de incitação e desdobramentos
Em outubro, um caso em Lisboa levou à prisão preventiva de Bruno Silva, por incitar ataques a brasileiros e ameaçar uma jornalista brasileira. As mensagens teriam sido publicadas nas redes sociais após reportagem sobre o panadero xenófobo.
A polícia e o Ministério Público destacam que tais incidentes não são isolados. A discriminação contra imigrantes tem raízes históricas e políticas, refletindo um aumento de denúncias entre 2018 e 2022.
Dados da Comisión para a Igualdad y contra la Discriminación Racial indicam crescimento de 142% nas denúncias nesse período. Brasileiros aparecem como o grupo estrangeiro mais numeroso e também entre os mais acionados na Justiça.
Especialistas ouvidos pelo jornal apontam que a insegurança jurídica e o medo de denunciar agravam a hostilidade. A presença de discurso racista em arenas públicas contribui para um ambiente de tensão entre comunidades.
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