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Cena artística saudita questiona uso generalizado de consultorias na cultura

Red Sea Museum abre em Jeddah e Black Gold Museum é anunciado em Riyadh, enquanto debate sobre dependência de consultorias ocidentais ganha peso

The Red Sea Museum opened in Jeddah this month Image: courtesy of Red Sea Museum
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  • Em Jeddah, o Red Sea Museum abriu neste mês; em Riyadh, foi anunciada a Black Gold Museum.
  • A visão Vision 2030 orienta o desenvolvimento cultural, com grande uso de consultorias ocidentais (McKinsey, BCG, Deloitte, etc.) para planos de museus e conteúdos culturais.
  • Há debates sobre a dependência de consultorias, risco de perda de memória institucional e impactos na construção de capacidade local.
  • O Fundo de Investimento Público (PIF) suspendeu a PwC por um ano, em 2024, por questões éticas.
  • O mercado de consultoria no Golfo vale cerca de 8 bilhões de dólares em 2025, com a Arábia Saudita respondendo por mais da metade desse total.

O Red Sea Museum abriu as portas em Jeddah, marcando mais um passo na arquitetura cultural da Arábia Saudita dentro da visão Vision 2030. O projeto integra o plano de desenvolvimento de museus previstos para a próxima década.

A pauta tem sido conduzida por consultorias ocidentais, que atuam no Ministério da Cultura e em entidades associadas. Firmas como McKinsey, BCG, Deloitte, entre outras, ajudam a traçar estratégias e grandes planos, segundo fontes do setor.

A discussão pública ganhou força com a dependência de consultorias para estruturar museus, redesenhar cidades históricas e criar distritos culturais. Em 2024, o PIF suspendeu a atuação da PwC por questões éticas, reforçando o debate sobre governança.

O que mudou recentemente

Além do Red Sea Museum, está prevista a inauguração do Black Gold Museum em Riyadh. Curadores e gestores atribuem o ritmo acelerado aos contratos com firmas de consultoria, que apoiam o desenho de masterplans e a gestão de projetos.

Críticos destacam que a presença de consultorias facilita entregas rápidas, mas pode reduzir a memória institucional. Há relatos de equipes que trabalham com diversas firmas para etapas distintas, desde logística até comunicação.

A atuação externa é vista por apoiadores como necessária para suprir lacunas de conhecimento técnico. No entanto, há quem ressalte a importância de fortalecer o talento local para garantir continuidade e identidade cultural.

Impactos e perspectivas

Especialistas apontam que o setor de consultoria no Golfo movimenta bilhões de dólares, com o setor cultural entre os principais polos de demanda. O uso de modelos estrangeiros é questionado por limitar a participação local em decisões criativas.

Artistas e curadores ressaltam a importância de equilibrar expertise externa e voz local. Eles defendem que a cultura se fortalece quando práticas artísticas convivem com planejamento estratégico, sem reduzir o que é próprio.

O debate envolve ainda questões de responsabilidade, transparência e memória institucional. A crítica central é a possibilidade de que resultados de curto prazo substituam o desenvolvimento de capacidades duradouras.

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