- Cartas com imagens deepfake sexuais foram enviadas a vizinhos de Carmen Lau, em Maidenhead, Reino Unido, e a uma rede na Austrália, marcando a primeira ação direta de assédio sexual transnacional contra dissidentes de Hong Kong.
- As cartas, enviadas a partir de Macau, trazem imagens digitalmente falsificadas de Lau como trabalhadora do sexo e contêm dados como o nome e medidas corporais, além do endereço anterior de Lau.
- Na Austrália, Ted Hui, ex-legislador de Hong Kong, e sua esposa foram alvo de um pôster falso anunciando serviços sexuais da esposa, com um menu de preços; o material foi enviado por e-mail a um chefe de Hui e distribuído em Adelaide.
- Autoridades e autoridades britânicas disseram que as cartas representam escalada da repressão transnacional; Lau relatou sentir-se “terrível” e destacou o uso de ferramentas digitais para atingir mulheres.
- As investigações estão em andamento; a polícia informou que está analisando comunicações maliciosas com imagens digitalmente alteradas e que não houve prisões até o momento.
Relatos recentes apontam um aumento do assédio transnacional contra dissidentes de Hong Kong. Cartas com imagens deepfake sexualizadas foram enviadas a vizinhos de Carmen Lau, ex-candidata pró-democracia, no Reino Unido, e a uma rede na Austrália. Este é o primeiro caso de alvo direto com material sexualizado.
As cartas louras, remetidas de Macau, trazem cinco imagens deepfake de Lau, com o rosto sobre corpos femininos, alguns cenários nudez completos ou lingerie. O texto cita o nome de Lau, o endereço antigo e convida a visitas, sugerindo aproximação futura. Vizinhos receberam as correspondências em Maidenhead.
Na Austrália, Ted Hui, ex-legislador de Hong Kong, e a esposa foram alvo de um cartaz falso com serviço sexual anunciado, ligado a uma suposta dona de casa solteira de Hong Kong. O material foi enviado à chefia de Hui e postado para moradores de Adelaide e arredores. Hui informou que o endereço citado não é dele.
Contexto
Nejórias de Lau já tinham recebido posters que offerciam recompensa por informações sobre seu paradeiro. Em março, cartas com o valor de HK$1 milhão circularam entre vizinhos na região de Maidenhead. A polícia de Hong Kong acompanha investigações sobre esses casos anteriores.
Além de Lau, outras pessoas associadas a ativistas pró-democracia também foram alvo no passado recente, incluindo Tony Chung, que obteve asilo no Reino Unido. No entanto, este episódio com material sexualizado marca a primeira vez em que alguém na lista de procurados recebe esse tipo de intimidação direta.
Reações e investigações
Lau relatou estar aterrorizada pela escalada do assédio direcionado a mulheres dissidentes. Ela também criticou o modo como a polícia de Thames Valley lidou com as cartas anteriores. Hui disse esperar que casos como este recebam resposta firme das autoridades locais.
A polícia de South Australia informou que investiga um possível crime de comunicação maliciosa, com imagens digitalmente alteradas. Não houve prisões até o momento. O governo britânico ressaltou a importância da segurança de hongkoneses no Reino Unido e incentivou denúncias às autoridades.
As autoridades britânicas e australianas continuam apurando a origem dos materiais. Em resposta, a embaixada chinesa em Londres reiterou que buscar fugitivos é legítimo, sem comentar detalhes dos casos recentes. A embaixada em Canberra não se pronunciou.
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