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Agentes dos EUA aumentam prisões de asilados afegãos, dizem advogados

Aumento de prisões de afegãos que buscam asilo nos EUA enquanto aguardam audiências, em Indiana, Nova York e Califórnia, gerando temor e efeito de intimidação

In recent weeks, ICE appears to be increasingly arresting Afghans awaiting hearings. Photograph: Yuki Iwamura/AP
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  • Agentes de imigração têm preso e detido cada vez mais requerentes afegãos de asilo, principalmente homens, que chegaram aos EUA recentemente e aguardam audiências judiciais.
  • Em Bloomington, Indiana, Amir foi parado por veículo sem identificação, algemado e levado a um centro de detenção no dia seguinte ao meio‑dia.
  • Em Nova York, outro requerente afegão foi detido após cumprir pedido para se apresentar a um escritório do ICE; no norte da Califórnia, quase duas dúzias de afegãos foram presos em duas últimas semanas.
  • A maioria dos detidos havia pedido asilo na fronteira México–EUA nos últimos dois anos ou chegado por meio de Operation Allies Welcome, com parole humanitário concedido anteriormente.
  • Advogados dizem que há efeito de intimidação nas comunidades, com pouca explicação sobre os motivos das detenções e sem clareza sobre como mudanças políticas de 2021–2022 afetarão os casos e prazos dos asylum seekers.

Afegãos que chegaram aos EUA como requerentes de asilo passaram a ser alvo de prisões e detenções durante audiências, segundo relatos recentes. Em Indiana, Nova York e Califórnia, dezenas de pessoas aguardam decisões judiciais enquanto são mantidas em custódia ou sob monitoramento. A prática tem gerado preocupação entre advogados e comunidades, que descrevem um efeito de intimidação.

Em Bloomington, Indiana, Amir, que buscou asilo após chegar aos EUA via México em 2024, foi detido após ser parado por um veículo policial sem identificação. Segundo o relato, minutos depois ele foi algemado e levado a uma unidade de detenção. Familiares relatam que ele não teve explicação sobre o motivo da prisão.

Em Nova York, outro solicitante de asilo foi detido após atender a uma orientação de comparecer a um escritório do ICE. Detalhes sobre o motivo da prisão não foram tornados públicos, de acordo com advogados que acompanham o caso.

Na Califórnia, estado com uma das maiores comunidades afegãs, advogados disseram que quase duas dezenas de requerentes foram presos recentemente, seja em ação externa ou em controles de rotina. Grande parte dos detidos chegou aos EUA buscando asilo na fronteira com o México nos últimos dois anos.

A maioria dos detenidos havia pedido asilo após entrar ilegalmente ou por meio do programa Operation Allies Welcome, criado para receber afegãos que fugiram doTalibã. Muitos tinham parole humanitário, status temporário que permite trabalhar e residir enquanto o processo de asilo tramita.

Advogados apontam que as prisões criaram um “efeito de intimidação” nas comunidades. Segundo Shala Gafary, diretora de programa de assistência jurídica da Human Rights First, as famílias passaram a temer sair de casa e passaram a buscar alternativas de saída para outros países.

Entre as preocupações está a falta de explicação sobre os motivos das detenções, mesmo para pessoas sem histórico criminal. Profissionais citam dificuldades para orientar clientes diante de mudanças administrativas interrompendo decisões de asilo e de outros vistos.

Especialistas destacam que as detenções ocorrem em um momento de mudanças políticas recentes, que restringiram caminhos legais de imigração e trouxeram suspensão de decisões de asilo para cerca de 1,5 milhão de pessoas. O governo federal não respondeu a pedidos de comentário até o momento.

Advogados acompanham casos com cuidado, destacando que muitos clientes cumprem exigências como notificações regulares ao ICE ou uso de monitoramento eletrônico, sem histórico criminal. A jurisprudência e o funcionamento do sistema de audiências seguem incertos, segundo relatos da prática jurídica.

Enquanto isso, a comunidade afegã teme novas detenções arbitrárias. Em resposta, defensores reiteram a necessidade de transparência nos motivos das prisões, bem como prazos e critérios claros para audiências, a fim de assegurar tratamento justo.

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