- Câmara baixa da Áustria aprovou emenda que proíbe meninas muçulmanas com menos de 14 anos de usar véu que cubra a cabeça; entra em vigor no segundo semestre de 2026, com fase de informação a partir de fevereiro.
- Em caso de violação, haverá reunião entre a escola, a menina e os pais; se persistirem, os pais se reúnem com a autoridade escolar competente; multas podem chegar a 800 euros; afeta cerca de 12 mil meninas.
- A medida foi apresentada pela coalizão governista; recebeu apoio da sigla de ultradireita Partido da Liberdade da Áustria, e oposição Os Verdes votou contra, alegando inconformidade constitucional.
- Em 2020, tentativa anterior de proibir véu em menores de dez anos foi considerada inconstitucional pela Corte Constitucional, que apontou neutralidade religiosa do Estado.
- Organizações de direitos humanos criticam a norma como discriminatória; a IGGÖ classifica a medida como violação de direitos fundamentais; a França e a Holanda já têm regras semelhantes.
A Câmara baixa da Áustria aprovou nesta quinta-feira uma emenda à lei que proíbe o uso de véus que cobrem a cabeça por meninas muçulmanas abaixo de 14 anos nas escolas públicas. A medida entra em vigor no segundo semestre de 2026, com uma fase de informação iniciando em fevereiro para preparar as instituições de ensino.
A norma estabelece etapas de atuação: se a aluna for flagrada usando o véu, a direção da escola deverá realizar uma reunião com a menina e os pais. Caso o uso persista, os pais devem se reunir com a autoridade escolar competente e, como último recurso, podem ser aplicadas multas de até 800 euros. A regra afeta cerca de 12 mil meninas.
Emenda aprovada e impactos
A coalizão governista, formada por três partidos de centro, apoiou a legislação. A oposição, representada pelos Verdes, votou contra a redação, embora sem rejeitar completamente a ideia de combater a pressão sobre crianças. O Partido da Liberdade da Áustria apoiou ampliar a proibição ao corpo docente, o que não foi adotado.
O governo descreve o véu como símbolo de opressão e defende a medida como proteção à liberdade das meninas até os 14 anos. Líderes do governo ressaltam que a intervenção busca evitar que jovens sejam orientadas por familiares em motivos religiosos. Críticos argumentam que a legislação pode distinguir muçulmanas.
Reação e comparação internacional
Organizações de direitos humanos criticaram a norma, classificando-a como discriminatória e potencial geradora de estigmas. A Anistia Internacional avaliou que a lei viola direitos fundamentais e pode acentuar preconceitos contra muçulmanos. A Federação Muçulmana da Áustria (IGGÖ) também expressou objeções formais.
Entre os partidos da região, o Neos defende a medida como proteção da autonomia infantil, citando estudo em andamento para assegurar compatibilidade com a constituição. Já Verdes sugerem alternativas, como equipes interdisciplinares que envolvam comunidade muçulana para mediar tensões nas escolas.
Contexto regional e referências
Historicamente, a Áustria já discutia a proibição de véus em escolas. Em 2020 houve tentativa anterior para restringir o uso por menores de 10 anos, considerada inconstitucional pela Corte Constitucional. A avaliação judicial destacou o dever de neutralidade religiosa do Estado. Situações similares ocorrem na França e na Holanda.
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