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Trump afirma ter resolvido muitas guerras; será que é verdade?

Trump afirma ter resolvido muitas guerras, mas conflitos persistem em várias frentes, expondo limites de seus esforços de paz

An employee of the Norwegian Nobel Institute holds a replica of a Nobel Peace Medal in the Institute in Oslo, Norway, September 9, 2025. REUTERS/Tom Little
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  • O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirma ter resolvido muitas guerras e diz que merece o Prêmio Nobel da Paz, citando intervenção em oito conflitos desde janeiro.
  • Armênia e Azerbaijão: Trump reuniu os líderes em 8 de agosto e ajudou a firmar uma declaração de “busca por relações pacíficas” entre os países, mesmo sem tratado formal de paz.
  • Camboja e Tailândia: intervenção de Trump ajudou a chegar a um cessar-fogo após tensões no Km da fronteira, com novo acordo assinado em outubro e cessar-fogo ampliado em dezembro.
  • Israel, Irã e territórios palestinos: Trump presidiu encontros para avançar acordo de hostis e uma trégua em Gaza; as partes ainda divergem sobre questões centrais como desarmamento e governança de Gaza.
  • Ruanda, República Democrática do Congo e M23: acordo de paz mediado pelos EUA assinado em junho, porém combates seguem e há acusações de violações por parte de vários atores.

Trump afirma ter resolvido muitos conflitos desde que assumiu a presidência, em janeiro. Ele diz que merece o Prêmio Nobel da Paz. Entretanto, problemas persistem e alguns conflitos voltaram a ferver em regiões como Congo e a fronteira entre Camboja e Tailândia.

A administração de Trump diz ter atuado em oito conflitos internacionais. Em várias frentes, houve acordos esparsos ou cessar-fogos, mas poucos compromissos com obrigações legais vinculativas. O saldo varia conforme o tema e a leitura dos resultados.

Alguns analistas ressaltam que, embora tenha promovido encontros e cessar-fogos, não houve consenso sobre governança, desarmamento ou mecanismos de monitoramento duradouros. O presidente também enfatiza acordos comerciais vinculados a ações de paz.

ARMÊNIA E AZERBAIJÃ

Em 8 de agosto, Trump reuniu líderes de Armênia e Azerbaijão para assinar uma declaração conjunta de busca por relações pacíficas. O acordo substitui, ainda que indiretamente, um tratado formal. O texto não impõe obrigações legais.

As partes tinham cessado combates desde 2023, com avanços em texto de um acordo de paz em março, ainda sem assinatura. Considera-se que a ausência de acordo definitivo inclui questões constitucionais a resolver.

Lideranças fecharam acordos econômicos com Washington que preveem direitos de desenvolvimento em um corredor estratégico no sul da Armênia. A administração informou que o corredor facilitaria exportações, com o nome de Trump em documentos da época.

CAMBODJA E TAILÂNDIA

Tensões entre Camboja e Tailândia permaneceram, mesmo diante de um cessar-fogo fragilizado. Trump ajudou a levar as partes à mesa de negociações após conflitos na fronteira resultarem em confrontos militares de cinco dias.

O presidente supervisionou a assinatura de um acordo de cessar-fogo entre os dois países, ocorrido na Malásia, em outubro, com novo cessar-fogo alcançado em dezembro. O objetivo é reduzir hostilidades na região.

ISRAEL, IRÃ E TERRITÓRIOS PALESTINOS

Trump presidiu a primeira reunião de uma iniciativa destinada a facilitar um acordo para terminar o conflito em Gaza. Israel e o Hamas concordaram com a primeira fase de um acordo de hostilidades e troca de prisioneiros.

Apesar do avanço, a hostilidade persiste e divergências sobre desarmamento, governança de Gaza e a atuação de uma força internacional mantêm-se. A iniciativa busca ampliar os acordos de Abraão com países árabes.

O presidente também tem buscado ampliar vínculos entre Israel e nações árabes. Em paralelo, houve tentativas de influenciar negociações com o Irã, incluindo ações militares anteriores.

RWANDA E REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO CONGO

A insurgência liderada pelo grupo M23 ganhou território no leste do Congo. O acordo de paz promovido pelos Estados Unidos, sob pressão de Trump, foi assinado em 27 de junho, mas ainda não foi implementado.

Congo e Ruanda realizaram novo encontro em Washington para reiterar compromissos com o plano de paz. Autoridades congolesas apontam violações, enquanto Ruanda nega envolvimento direto no M23.

A liderança congolense também discute questões de minerais críticos, com dúvidas sobre a constitucionalidade de acordos firmados em dezembro. Observadores veem o conflito como um desafio histórico da região.

ÍNDIA E PAKISTÃO

Em maio, a Índia e o Paquistão estiveram à beira de nova escalada após um ataque na região de Caxemira. A intervenção de Trump, com apoio de assessores, ajudou a empurrar para um cessar-fogo em 10 de maio.

O acordo não resolveu totalmente as disputas entre os dois países, que envolvem questões territoriais e de soberania. A Índia contestou a influência externa na pressão por um cessar-fogo.

EGITO E ETIOPIA

A disputa sobre a Represa do Gran Barragem da África Oriental continua gerando tensões. Trump afirmou, em julho, que a questão seria solucionada. O governo dos EUA vinculou o tema a negociações entre as partes.

Não está claro qual é a participação prática do governo americano no processo desde então. O Egito afirma proteger seus interesses hídricos e negocia com a Etiópia.

SÉRVIA E KOSOVO

Serbia e Kosovo mantêm relações tensas, mesmo após acordos de normalização econômico-sociais no passado. Trump afirmou ter encerrado conflitos na região durante seu primeiro mandato e prometeu resolver novamente.

O Kosovo declarou independência em 2008, enquanto a Sérvia contesta a legitimidade dessa independência. Não houve acordo de paz formal entre as partes.

RÚSSIA E UCRÂNIA

Trump afirmou, durante a campanha de 2024, que poderia resolver a guerra em um dia, mas a guerra persiste. Em 2025, o presidente impôs sanções a empresas petrolíferas russas e tem pressionado por termos de cessar-fogo.

Negociações recentes produzem poucos sinais de progresso. Países europeus enfatizam a necessidade de compromissos claros para evitar favorecer uma das partes.

COREIA DO SUR E COREIA DO NORTE

Trump manifestou interesse em se reunirem novamente, sinalizando futuras conversas de paz. O histórico de encontros com Kim Jong Un incluiu cúpulas e cartas, mas o impasse nuclear persiste.

O governo sul-coreano busca cooperação nuclear para defesa, inclusive com submarinos movidos a energia nuclear. As conversas continuam sem uma solução definitiva para o desarmamento nuclear.

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