- Os Estados Unidos abriram uma nova fase de pressão contra Nicolás Maduro, mirando o petróleo venezuelano, com sanções a seis navios e a quatro indivíduos, incluindo três sobrinhos do líder chavista.
- A ofensiva vem após a incautação de um cargueiro com petróleo venezuelano em águas venezuelanas, operação liderada pela Guarda Costeira com apoio da Marinha e FBI; o navio envolvido foi o Skipper.
- Autoridades afirmam que o petróleo confiscado pode ficar sob gestão dos EUA, e apontam que podem ocorrer novas confiscações nos próximos dias.
- A ação elevou as tensões na região caribenha, onde Washington já mantém maior presença militar; o navio apresentava bandeira da Guiana, cuja documentação foi contestada pelas autoridades americanas.
- Houve também uma informação de que o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, manteve uma conversa rápida com Maduro, sinalizando possíveis estratégias regionais diante da escalada.
Estados Unidos intensificaram a pressão contra o governo de Nicolás Maduro com a imposição de sanções a seis navios e quatro indivíduos, incluindo três sobrinhos do presidente venezuelano. A medida amplia a ofensiva já em curso no Caribe, centrada no petróleo venezuelano como principal fonte de renda de Caracas. A operação anterior resultou na incautação de um cargueiro com petróleo venezuelano.
A ofensiva envolve o Departamento do Tesouro e o Departamento de Estado, que anunciaram sanções a empresas navieras que transportam petróleo venezuelano e aos navios utilizados por essas empresas. Entre os alvos estão quatro indivíduos, sendo três parentes de Maduro. O objetivo declarado é cortar fluxos financeiros do regime e restringir as fontes de financiamento de Maduro.
Incautação do navio e operação
A incautação do navio Skipper ocorreu em águas próximas à Venezuela e foi conduzida por agentes da Guarda Costeira dos EUA, com apoio da Marinha e sob supervisão do FBI. Um vídeo divulgado pelo Departamento de Segurança Nacional mostra helicópteros descendendo até a embarcação para a abordagem, sem resistência dos tripulantes. A operação é apresentada como parte de uma campanha mais ampla contra o contrabando de petróleo.
O carregamento pretendia seguir com bandeira de Guyana, embora o governo desse país tenha dito que o estandarte usado era falso e que o navio não consta de registros oficiais. O anúncio descreveu o cargueiro como envolvido em atividades vinculadas a redes de contrabando que apoiam organizações terroristas, segundo a própria justiça estadunidense.
Reações e contexto
O governo venezuelano classificou a incautação como pirataria internacional e como mais um ataque às riquezas do país. Caracas afirma que as sanções visam pressionar o país para mudança de regime. Altos cargos da administração norte-americana indicam que outras confiscas podem ocorrer nas próximas semanas.
A operação ocorre num contexto de presença militar estadunidense elevada no Caribe, com o porta-aviões Gerald Ford e cerca de 15 mil militares na região. A chamada Operação Lança do Sul tem como meta combater o narcotráfico, segundo Washington, mas há avaliações de que o objetivo é pressionar o governo Maduro.
Repercussões políticas
O governo americano afirma que busca manter a segurança interna, impedir o financiamento de atividades criminosas e reduzir ameaças regionais. Especialistas ressaltam que as ações afetam ainda mais a economia venezuelana, já afetada por sanções e pela queda de produção petrolífera.
A tensão regional se intensifica com a sinalização de novas sanções e a possível confirmação de novas confiscations nos próximos dias. Estados Unidos aponta que as medidas não visam apenas Caracas, mas também atores envolvidos no tráfico regional e no comércio de petróleo.
Conexões internacionais
Em outra frente, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva manteve conversa telefônica com Maduro, segundo informações do jornal O Globo, confirmadas por uma fonte brasileira. O conteúdo da ligação não foi divulgado, e não está claro o momento exato da conversa, que ocorreu em meio à escalada regional de tensões.
A relação entre Brasil e Venezuela ficou em compasso de espera desde a eleição de 2024, com o país sul-americano suspendendo relações formais e vetando a entrada da Venezuela no bloco BRICS como retaliação a políticas venezuelanas. As informações sobre a conversa indicam uma linha de diálogo, ainda que cautelosa, entre as lideranças.
Entre na conversa da comunidade