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Pelo menos três escritores se retiram do Hay Festival em protesto contra Machado

Escritores recuam do Hay festival Cartagena em protesto à presença de María Corina Machado, ligada ao apoio a intervenção militar dos EUA na Venezuela

Maria Corina Machado speaks in Oslo, Norway, on 11 December 2025.
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  • Escritores retiraram-se do Hay festival Cartagena, na Colômbia, em protesto à convite da líder da oposição venezuelana e ganhadora do Nobel, María Corina Machado.
  • Machado apoia a estratégia de quatro meses de pressão dos Estados Unidos contra o presidente venezuelano Nicolás Maduro e já sugeriu intervenção militar no Caribe.
  • Os autores Laura Restrepo, Giuseppe Caputo e Mikaelah Drullard destacaram objeções à presença de Machado, citando riscos de violência imperial e apoio a posições pró-intervenção.
  • Machado tem ligações com lideranças de direita na região, como Javier Milei, na Argentina, e Jair Bolsonaro, no Brasil, e elogiou a eleição do ultraconservador José Antonio Kast no Chile.
  • O Hay festival informou que não endossa as opiniões dos participantes, mas manteve a programação com a participação remota de Machado, que deve ocorrer no dia trinta de janeiro.

A escritora María Corina Machado, apoiadora de uma estratégia de pressão de quatro meses defendida pelo presidente dos EUA, Donald Trump, contra Nicolás Maduro, foi tema central de protestos no Hay Festival Cartagena, na Colômbia. Machado também já manifestou apoio a uma intervenção militar dos EUA na Venezuela, segundo relatos do grupo de autores.

Pelo menos três escritores anunciaram que não participariam do Hay Festival no mês seguinte em Cartagena, em protesto à presença de Machado. A reação aponta para desassociação com figuras associadas a ideias de intervenção militar e alianças com lideranças de direita na região.

Entre os que se colocaram contrários, destacou-se Laura Restrepo, ganhadora do prêmio Planeta e crítica contundente de Machado. Outros, como Giuseppe Caputo e Mikaelah Drullard, também manifestaram opinião pública contra a participação da venezuelana.

Desdobramentos e posição do festival

Restrepo afirmou que Machado apoia a intervenção militar dos EUA na América Latina, e pediu a não concessão de plataforma para quem defende tais posições. Caputo associou a presença de Machado a um momento de violência imperial, citando ataques aéreos recentes.

Drullard acrescentou que convidar Machado valida suas falas e funciona como instrumento de promoção de uma agenda de militarização na região. Ela também apontou o apoio de Machado a figuras ultraconservadoras como Kast, no Chile, como indicativo de alinhamento político.

O Hay Festival Cartagena emitiu nota dizendo respeitar as decisões dos autores que desistiram, mas que defende o diálogo aberto e a liberdade de expressão. A organização ressaltou que não endossa as opiniões de quem participa de suas atividades, mantendo a neutralidade institucional.

Machado participou remotamente de uma sessão prevista para janeiro 30, em conversa com o jornalista Moisés Naím. A agenda envolve ainda a participação da venezuelana em eventos e conferências, sem confirmação de retorno à Venezuela.

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