- O Programa Mundial de Alimentos disse que, a partir do próximo mês, reduzirá as rações ao “mínimo indispensável para a sobrevivência” (70% para quem já enfrenta fome e 50% para quem está em risco), devido à falta de recursos, sendo necessário quase 700 milhões de dólares nos próximos seis meses.
- A fome se intensifica no Sudão: o IPC confirmou fome em 21,2 milhões de pessoas e apontou risco de fome em 20 áreas, com cidades como El Fasher e Kadugli já em situação crítica.
- O conflito entre as Forças Armadas do Sudão e o RSF continua, com violência que agrava a insegurança alimentar e impõe cortes de alimentos, água e remédios às famílias.
- Aproximadamente 12 milhões de pessoas foram deslocadas pelas hostilidades, e o país registra mais de 150 mil mortos desde o início do conflito.
- O acesso humanitário permanece dificultado em El Fasher, e negociações entre blocos políticos e organismos regionais estiveram suspensas após impasse sobre a participação do RSF.
As obras de ajuda humanitária enfrentam cortes em meio à intensificação da fome no Sudão. O Programa Alimentar Mundial (WFP) anunciou a redução de doações, mirando a “mínima sobrevivência” para quem já sofre com a crise. Acarreta queda de até 70% das rações para os que passam fome e 50% para os em risco.
O WFP informou que precisa de nearly 700 milhões de dólares nos próximos seis meses para manter suas atividades no país. A organização destaca que a crise ganhou intensidade após o conflito entre o exército sudanês e as Forças de Apoio Rápido (RSF) desde abril de 2023.
AIPC aponta que cerca de 21,2 milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar aguda, quase metade da população. O relatório também cita acentuação da fome em El Fasher, Kadugli e alerta para risco iminente em 20 áreas adicionais.
Kadugli fica no Sudão do Sul de Kordofão, onde ataques com drones contra uma base de logística da ONU resultaram na morte de seisعامل peacekeepers. O Exército sudanês atribui o ataque às RSF, que buscam ampliar seu controle da região.
“Vítimas civis em Kordofão do Sul sofrem violência, fome e deslocamento que aumentam a cada dia”, afirmou Miji Park, interim country director da Mercy Corps no Sudão. Organizações humanitárias destacam dificuldades de acesso e aumentos de preços de alimentos.
Fome e acesso humanitário
Acesso de agências à cidade de El Fasher continua dificultado, com grandes lacunas de alimento. Organizações locais relatam que dezenas de milhares de pessoas estão em acampamentos fora da cidade sem distribuição regular de comida.
O alto nível de violência na região, incluindo ataques contra estruturas civis, complica o trabalho de entrega de ajuda. A situação preocupa especialmente pela interrupção de rotas comerciais e desabastecimento de água e medicina.
Esforços de paz e desdobramentos
Esforços da União Africana e da IGAD para facilitar o diálogo entre grupos sudaneses enfrentam entraves. Conversas agendadas para esta semana foram adiadas após divergências sobre a participação da RSF.
Diplomatas destacam que propostas de cessar-fogo de potências estrangeiras foram rejeitadas recentemente por autoridades sudanesas. A comunidade internacional continua buscando caminhos para um cessar-fogo duradouro e proteção humanitária.
O conflito já deslocou dezenas de milhões de pessoas e deixou um registro de mais de 150 mil mortes. O panorama econômico e social aponta para uma crise prolongada caso não haja solução politica estável e acesso contínuo à ajuda vital.
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