- A assinatura do acordo entre a União Europeia e o Mercosul foi adiada para janeiro, anunciou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, aos líderes da UE em Bruxelas.
- A formalização estava prevista para este sábado, na cúpula do Mercosul em Foz do Iguaçu, mas não ocorreu.
- França e Itália são os principais opositores, pressionados pelos agricultores, o que levou ao atraso.
- O acordo criaria uma das maiores áreas de livre comércio, reunindo cerca de 722 milhões de consumidores e US$ 22 trilhões em PIB; facilitaria exportação europeia de veículos, máquinas, vinhos e bebidas para o Mercosul e a entrada de carne, açúcar, arroz, mel e soja na UE.
- Lula afirmou ter conversado com a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni; ela não é contra, mas pediu prazo de até um mês para convencer agricultores; o ministro Fernando Haddad disse que o atraso pode viabilizar o tratado.
A assinatura do acordo entre a União Europeia (UE) e o Mercosul foi adiada para janeiro. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, informou aos líderes da UE, em Bruxelas, que o ato não ocorrerá neste sábado, 20, durante a cúpula do Mercosul em Foz do Iguaçu. A resistência de alguns Estados-membros impediu a aprovação necessária.
A decisão foi tomada após a pressão exercida pela França e pela Itália, apoiadas por agricultores de seus países. A entrega de totalidade do acordo depende da ratificação pela maioria dos 27 Estados-membros, o que não foi alcançado.
O adiamento representa um revés para a Comissão Europeia, bem como para a Alemanha e a Espanha, que tinham interesse em formalizar a assinatura nos próximos dias, conforme informações da RTP. O acordo visa ampliar o livre comércio entre as duas regiões.
Contexto do acordo
O acordo Mercosul–UE, se cumprido, criaria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, reunindo cerca de 722 milhões de consumidores e um PIB combinado de aproximadamente US$ 22 trilhões. O texto prevê maior exportação de veículos, máquinas, vinhos e bebidas alcoólicas para Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, em troca de maior entrada de carne, açúcar, arroz, mel e soja na UE.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ter conversado por telefone com a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni. Segundo Lula, Meloni não é contra o acordo, mas enfrenta dificuldades políticas internas e pediu prazo de até um mês para convencer os agricultores italianos.
Reações e próximos passos
O governo francês tem sido o principal opositor, articulando apoio de outros países para a postergação. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o atraso pode facilitar a conclusão do tratado, que vem sendo negociado há mais de duas décadas. Autoridades da UE ainda não definiram nova data para a assinatura.
Com informações da RTP e da Reuters.
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