- Um advogado da reserva do exército dos EUA, Christopher Day, foi demitido cerca de um mês após começar a atuar como juiz de imigração temporário em Annandale, Virgínia.
- Day começou a ouvir casos no fim de outubro e foi desligado por volta de 2 de dezembro, conforme confirmação da National Association of Immigration Judges.
- Dados federais de novembro mostram que Day concedeu asilo ou algum tipo de proteção para permanecer nos EUA em seis de onze casos avaliados naquele mês.
- A demissão ocorre em meio ao esforço da administração Trump de reduzir o backlog de aproximadamente 3,8 milhões de casos de asilo, com mudanças para agilizar deportações em mais de 75 tribunais de imigração.
- Enquanto a política busca elevar a remoção de imigrantes, juízes militares atuando em tribunais de imigração já mostraram resultados consistentes com as metas do governo, mas casos como o de Day são vistos como desvio potencial.
Christopher Day, advogado da reserva do Exército, foi demitido pouco menos de um mês após assumir como juiz federal de imigração. Ele atuava no tribunal de imigração de Annandale, na Virgínia, e foi dispensado por volta de 2 de dezembro, segundo a National Association of Immigration Judges.
Day começou a ouvir casos no fim de outubro, de forma temporária. Ainda não está claro o motivo da demissão. Não houve comentários do juiz nem de um porta-voz do governo federal quando procurados pela AP.
Dados federais de novembro mostram que, em 11 casos concluídos, Day concedeu asilo ou algum tipo de alívio para permanecer nos EUA em 6 oportunidades. Tais resultados vão na direção oposta das metas da administração Trump de reduzir o backlog de migração.
Contexto institucional
A gestão Trump busca reduzir cerca de 3,8 milhões de casos de asilo por meio de mudanças nas 75 ações de imigração do país. Paralelamente, o governo demitiu quase 100 juízes considerados liberais demais e abriu espaço para que advogados sem formação específica atuem como juízes de deportação.
Em setembro, o secretário de Defesa autorizou o envio de até 600 advogados militares para atuarem como juízes de imigração, com o objetivo de acelerar decisões em casos de asilo. Críticos veem nessa medida uma reinterpretação do papel do juiz.
Impacto e perspectivas
Até o momento, apenas 30 militares atuam nos tribunais de imigração, e, segundo dados federais, 9 em cada 10 casos decididos por esses juízes em novembro resultaram em remoção ou saída voluntária. Outras estatísticas indicam uma taxa de remoção de 78% pelos juízes militares, ante 63% de juízes civis.
Especialistas alertam que demissões rápidas podem ocorrer por ações disciplinares que, mesmo se posteriormente revertidas, afetam promoções e futuros desligamentos. A aplicação dessas normas a juízes militares atuando fora de tribunais típicos ainda não está clara.
O que está em jogo
Day, graduado em direito pela American University, acumulava funções como tenente-coronel no corpo de advogados do Exército. Diferentemente de juízes federais, juízes de imigração são funcionários do Departamento de Justiça e podem ser demitidos pelo procurador-geral com menos restrições.
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