- Brasil sedia e preside a 57ª Reunião do Comitê de Coordenação do UNAIDS em Brasília, até o dia 18 de dezembro.
- Encontro reúne governos de 22 países, agências da Organização das Nações Unidas e representantes da sociedade civil para orientar a resposta global ao HIV/Aids e definir a estratégia 2026–2031.
- O Brasil comemora 25 anos do UNAIDS no país e 40 anos da resposta brasileira à epidemia; o grupo discute financiamento e fortalecimento de serviços.
- A reunião aborda uma nova estratégia de cinco anos e os efeitos de reduções de assistência internacional sobre prevenção e organizações comunitárias.
- Foi lançada a versão em português do relatório Rompendo o ciclo da desigualdade-pandemia; apresentado por Winnie Byanyima, Mariângela Simão e Nísia Trindade, com foco em políticas contra desigualdades na saúde.
O Brasil sedia e preside a 57ª Reunião do Comitê de Coordenação do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS), que ocorre em Brasília até esta quinta-feira (18). O encontro reúne governos de 22 países, agências da ONU e representantes da sociedade civil para orientar a resposta global ao HIV/AIDS e definir a estratégia internacional para 2026-2031. O evento marca ainda os 25 anos de atuação do UNAIDS no Brasil e os 40 anos da resposta brasileira à epidemia.
Mariângela Simão, secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, participa da abertura e dos debates. Winnie Byanyima, diretora executiva da UNAIDS, participa das atividades abertas aos parceiros. O grupo debate desafios internacionais, agravados em 2025 por reduções de financiamento e pelo enfraquecimento de serviços de prevenção e de organizações comunitárias, e discute a adoção de uma nova estratégia quinquenal.
Rompendo o ciclo de desigualdade
Foi lançada em português a versão do relatório Rompendo o ciclo da desigualdade-pandemia: construindo a verdadeira segurança na saúde em uma era global, elaborado pelo Conselho Global sobre Desigualdades, AIDS e Pandemias. A apresentação contou com Byanyima, Simão e a pesquisadora Nísia Trindade, ex-ministra da Saúde. O documento analisa como desigualdades ampliam impactos de pandemias e como, por sua vez, a pandemia aprofunda disparidades, exigindo políticas estruturais para determinantes sociais da saúde.
O relatório traz recomendações, incluindo a experiência brasileira no enfrentamento das desigualdades e seus efeitos positivos na saúde pública. Entre os resultados citados estão a eliminação da transmissão vertical do HIV, a queda de óbitos por AIDS em 32 anos e o papel de programas como o Bolsa Família e o fortalecimento do setor de saúde no país.
Visitas e atuação do SUS
No dia 15, delegações estrangeiras realizaram visitas técnicas acompanhadas pela Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. A primeira atividade foi a exposição 40 Anos de História da Resposta Brasileira à AIDS, aberta ao público até 16 de janeiro de 2026. A segunda visita ocorreu ao Congresso Nacional, com participação em audiência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Frente Parlamentar Mista.
Parte do grupo conheceu três serviços de saúde pública do Distrito Federal dedicados a pessoas vivendo com HIV/AIDS: a Policlínica 2 de Ceilândia, que oferece PrEP e atendimento especializado; o Centro Especializado em Doenças Infecciosas; e o Hospital Universitário de Brasília, que disponibiliza PrEP, testagem e encaminhamento para tratamento.
UNAIDS, PCB e o contexto global
O UNAIDS, criado em 1994 e lançado em 1996, é orientado pelo Comitê de Coordenação do Programa (PCB), que reúne representantes de 22 governos, fundos, programas copatrocinadores e organizações não governamentais ligadas a pessoas vivendo com HIV. Em 2023, foi anunciada a criação do Conselho Global sobre Desigualdades, AIDS e Pandemias, iniciativa que busca enfrentar desigualdades que alimentam pandemias e fortalecer a resposta a emergências sanitárias.
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