- A internacionalização deixou de ser exceção e passou a parte estratégica do crescimento de startups e empresas de tecnologia brasileiras.
- Audaces atua em mais de 100 países, abriu sede europeia na Itália em 2017 e prevê investir R$ 1 bilhão até 2030.
- Huge Networks criou sua primeira infraestrutura física nos Estados Unidos para atender clientes brasileiros, investindo em compliance e cobrança em moeda local.
- Choques culturais pesam mais que o aspecto técnico, com adaptações de vocabulário, postura e ofertas exigidas em mercados como o Chile.
- A ACATE apoiou mais de 150 empresas em missões internacionais em 2025, ressaltando que parcerias e ecossistemas certos aceleram a entrada em mercados externos.
A internacionalização de startups brasileiras deixou de ser exceção e se tornou parte estratégica de empresas de tecnologia, serviços e produtos digitais que expandem operações e disputam mercados globais. O movimento é impulsionado por um ecossistema mais maduro, busca por novos mercados e ciclos de inovação mais ágeis.
Segundo especialistas, a internacionalização tornou-se requisito competitivo, não opcional. A afirmação é de Pedro Waengertner, CEO da ACE Ventures, que destaca a validação de problema, produto e mercado antes de escalar, evitando etapas prematuras.
Ênfase desde a fundação
Para algumas empresas, a atuação fora do Brasil já existia na origem. A Audaces, tecnológica para moda criada em 1992, abriu sede europeia na Itália em 2017. O CEO da Audaces nas Américas, Matheus Fagundes, aponta aprendizado com equipes locais para o desenvolvimento global.
A empresa atua em mais de 100 países e projeta investimentos de cerca de R$ 1 bilhão até 2030, fortalecendo produção e colaboração entre culturas para adaptar soluções ao mundo.
Estrutura e credibilidade internacionais
A Huge Networks adotou uma trajetória diferente: estabeleceu infraestrutura física nos EUA para atender clientes brasileiros. O CEO Erick Nascimento diz que o desafio foi conquistar credibilidade no setor de cibersegurança, investindo em compliance, infraestrutura local e cobrança na moeda local.
Para ele, pensar global desde o início se tornou diferencial estratégico, ampliando a confiança de clientes estrangeiros.
Desafios culturais na prática
Entre os entravessos, a adaptação cultural pesa mais que diferenças técnicas. O CGO da OSTEC, Fabio Brodbeck, cita exemplos como no Chile, onde termos técnicos têm impacto na negociação, exigindo alinhamento de vocabulário e postura.
No design e produto digital, a necessidade de reposicionamento também aparece, com foco em reduzir riscos e acelerar lançamentos, disse Guilherme Ferreira, CEO da Atomsix, destacando mudanças em narrativa, contratos e nichos de atuação.
Imersão local como componente
A presença internacional envolve imersão cultural contínua. A WTM traçou programas de intercâmbio corporativo no Canadá e nos Emirados Árabes, enfatizando participar de eventos, conversar com players e vivenciar culturas para aumentar a assertividade.
Lisandro Vieira, CEO da WTM, enfatiza que equipes diversas fortalecem o entendimento do funcionamento de cada mercado.
Apoio de ecossistemas e parcerias
Entidades de apoio têm papel relevante. A ACATE, Associação Catarinense de Tecnologia, apoiou mais de 150 empresas em missões internacionais em 2025, com foco na América do Norte, Europa e Oriente Médio. O vice-presidente de Internacionalização, Henrique Bilbao, ressalta a importância de conectar empresas aos ecossistemas certos.
Esse movimento aproxima startups brasileiras de grupos estrangeiros como Visma, Valsoft e Zucchetti, ampliando oportunidades de cooperação e investimento.
Brasil como referência externa
A narrativa de internacionalização carrega desconfianças iniciais sobre preço e qualidade, mas também reconhecimento pela capacidade de operar em ambientes complexos. Vieira afirma que soluções robustas no Brasil facilitam a escalada em outros mercados.
Nascimento aponta que o volume de ataques digitais no país elevou o nível técnico das soluções locais, fortalecendo a credibilidade internacional e atraindo clientes estrangeiros. Ferreira ressalta que a adaptabilidade brasileira é vista como vantagem competitiva no exterior.
Caminho para avançar
Executivos destacam planejamento e disciplina na expansão internacional: testar em pequena escala, escolher mercado e nicho, firmar parcerias locais, adaptar produto e narrativa, conhecer bem o país e respeitar as etapas do processo. A experiência mostra menos improviso e mais método, com atenção às diferenças culturais, regulatórias e operacionais.
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