- A União Europeia acordou emitir eurobonos no valor de 90.000 milhões de euros para financiar a Ucrânia, com reembolso feito somente quando a Rússia pagar pelos danos.
- O recurso será garantido pela margem orçamentária da UE, visando atender às necessidades da Ucrânia nos próximos dois anos.
- Não foi possível mobilizar os ativos do Banco Central da Rússia que permanecem congelados na UE para respaldar a operação.
- Países-membros adotaram que a solução não envolve responsabilidade financeira direta de alguns Estados, como República Tcheca, Hungria e Eslováquia, e que a maior parte dos ativos russos continua congelada.
- A cúpula também adiou o acordo com Mercosul para janeiro; houve pressão de líderes como Giorgia Meloni para atrasar o tratado.
A União Europeia aprovou, na madrugada de sexta-feira, a emissão de eurobonos no valor de 90 bilhões de euros para financiar a Ucrânia. A medida busca evitar a falência do país diante da continuidade da ofensiva russa e representa uma solução rápida para os próximos dois anos. O recurso ficará disponível mediante garantias do orçamento da UE.
O acordo foi fechado após mais de 16 horas de negociação na cúpula em Bruxelas. O objetivo é que Kiev tenha recursos estáveis, com o reembolso ocorrendo somente quando a Rússia quitar os danos da guerra. A iniciativa não envolve o uso direto de ativos russos congelados.
Apesar do esforço, houve divergências entre os Estados-membros. Bélgica resistiu à ideia de mobilizar ativos russos, enquanto alguns países temiam riscos políticos. Ainda assim, a UE decidiu avançar com os eurobonos como alternativa ao uso de reservas congeladas para sustentar o apoio a Kiev.
Detalhes do acordo
O plano prevê empréstimo de 90 bilhões de euros no mercado de capitais, garantido pelo orçamento da UE. Alemanha, Itália e outros membros manifestaram apoio, mesmo diante de objeções de Bélgica e da Hungria. A ideia é manter o fluxo de financiamentos sem depender da mobilização dos ativos russos.
A cúpula não confirmou a movimentação imediata de ativos congelados. Os líderes indicaram que o tema permanece em estudo para futuras ações, com a possibilidade de explorar outras opções de financiamento. A decisão também adiou o acordo comercial com o Mercosul para janeiro, mantendo o foco em Kiev.
Além disso, o pleito político envolvendo o Mercosul ganhou contornos ao exigir acordos internos para sustentar o posicionamento europeu. Pela posição do bloco, a decisão sobre a parceria com Mercosul foi flexibilizada para permitir um tempo adicional de negociação, sem impactar diretamente o financiamento da Ucrânia.
Observações finais
O presidente do Conselho Europeu destacou que o pacote garante recursos para dois anos e que o pagamento só ocorreria se a Rússia reparar os danos. O líder francês ressaltou que a escolha evita um cenário de desastre financeiro para Ucrânia. A cúpula encerrou com o compromisso de seguir avaliando opções futuras.
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