- Agricultores franceses mantêm bloqueios em rodovias e autoestradas do sudoeste no sábado 20, mesmo após adiamento da assinatura do acordo de livre comércio União Europeia (UE) com o Mercosul.
- Os protestos são motivados pelo abate sistemático de rebanhos contaminados por dermatose nodular contagiosa (DNC) e pela insatisfação com a gestão sanitária do governo.
- O governo ampliou o fundo de emergência para 11 milhões de euros e defende a estratégia de abater todos os animais afetados, apesar de críticas dos sindicatos.
- Os sindicatos pedem uma trégua durante o fim de ano, condicionada a garantias sobre indenizações, segurança econômica das propriedades e apoio aos produtores de cereais.
- A cúpula do Mercosul, em Foz do Iguaçu, adiou a assinatura do tratado com a UE para janeiro, enquanto a maioria dos líderes europeus espera fechar o acordo no Brasil em breve.
No dia seguinte às declarações do primeiro-ministro francês Sébastien Lecornu, agricultores franceses mantiveram bloqueios em rodovias e autoestradas no sudoeste do país. Os atos ocorrem no primeiro dia das férias escolares, em protesto contra o abate de rebanhos contaminados por dermatose nodular contagiosa (DNC) e contra a crise sanitária, além de cobrar postura mais firme do governo em relação ao acordo UE-Mercosul.
Sara Melki, coporta-voz da Confederação Camponesa de Aveyron, disse à AFP que a mobilização segue enquanto não houver mudanças na política sanitária. O movimento não teve confrontos com a polícia e organizou um segundo ponto de bloqueio no sudoeste, mesmo após ordem municipal para proibir manifestações.
As lideranças da Coordenação Rural (CR) e da Confederação Camponesa chegaram ao governo na sexta-feira à procura de uma trégua e apontaram insatisfação com as medidas adotadas, inclusive o aumento do fundo de emergência de 10 milhões para 11 milhões de euros. A CR indicou que as seções departamentais podem manter o movimento, com apelo para pausa no Natal, sem recomendação de suspensão formal.
Panorama da cúpula do Mercosul
Enquanto as tensões ganham as ruas da França, representantes do Mercosul se reúnem em Foz do Iguaçu para a cúpula do bloco. A assinatura do acordo de livre comércio com a União Europeia, prevista para este sábado, foi adiada para janeiro. O encontro marca a passagem de comando da presidência rotativa brasileira no bloco.
A coordenação europeia espera selar o acordo em 2026. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, manteve a expectativa de assinatura futura, desde que as questões sobre a produção agrícola europeia e o acesso a mercados sul-americanos sejam alinhadas. O acordo negociado por mais de 25 anos envolve exportação de veículos, máquinas, vinhos e bebidas para a Europa, além de abrir mercado para carne, açúcar e soja na UE.
RFI e AFP reportaram que o impasse atual reflete protestos de agricultores na França e na Itália, entre outros, que pressionam por garantias sanitárias, indenizações e condições para o setor rural durante o processo de ratificação internacional.
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