- Nova prorrogação do acordo Mercosul-UE adiou a assinatura para janeiro, após pedido da Itália (Giorgia Meloni).
- Lula afirmou estar frustrado com o impasse e destacou que o bloco já fez concessões ambientais, comerciais e regulatórias ao longo de décadas de negociação.
- O presidente ressaltou o esforço de von der Leyen e Costa para que haja ajustes, mantendo a expectativa de assinar o acordo em janeiro.
- Lula criticou intervenções externas no Caribe, defendendo maior autonomia da América Latina e alertando sobre riscos de tensões regionais.
- O comércio com a União Europeia somou cerca de US$ 92 bilhões em 2023; projeções apontam até 0,34% do PIB, 0,76% de investimentos e 0,42% de ganho real salarial no longo prazo.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sábado, na cúpula do Mercosul em Foz do Iguaçu, frustração com o adiamento do acordo entre Mercosul e União Europeia. O acordo, discutido há mais de duas décadas, não teve assinatura confirmada e fica para janeiro, conforme decisão da UE.
Lula comentou pressões de dirigentes europeus para aceitar ajustes no texto, destacando que o bloco sul-americano já cedeu em questões ambientais, comerciais e regulatórias ao longo dos anos. O chefe do governo brasileiro ressaltou que não pode ser responsabilizado por sucessivos atrasos.
O brasileiro disse que o Mercosul tem sido pressionado por diferentes governos europeus, incluindo pedidos de participação de líderes da UE em uma reunião no Brasil. O tom foi de que o bloco já fez concessões suficientes para avançar no acordo.
Contexto e avanços do acordo
Em discurso, Lula destacou que as negociações são antigas e que a responsabilidade pelos atrasos não recai apenas sobre o Mercosul. Ele citou que a UE é hoje o segundo maior parceiro comercial do Brasil, com fluxo de cerca de US$ 92 bilhões em 2023.
As projeções apontam ganhos econômicos significativos com a assinatura, estimando impactos positivos no PIB de até 0,34% ao longo de 20 anos, além de aumento de investimentos, salários reais e outros indicadores para o Brasil.
Lula reconheceu que há resistência entre produtores europeus e parte dos governos da UE quanto a fechar o texto nos termos já negociados, mas manteve a expectativa de conclusão do acordo em janeiro, se houver vontade política europeia.
Críticas a intervenções externas
Durante a sessão, o presidente também criticou ações norte-americanas no Caribe, sem citar nomes, chamando a atenção para risco de tensões regionais. Ele pediu maior autonomia para os países latino-americanos nas decisões econômicas e estratégicas.
O discurso ocorreu em um momento de tensão geopolítica no hemisfério, com Lula reforçando que o continente precisa de uma atuação mais independente em temas de comércio e segurança.
Lula repetiu a ideia de que o Mercosul não pode ser tratado como parceiro de segunda classe e reafirmou a prioridade pelo acordo com a UE, afirmando manter o otimismo de concluir as negociações já no primeiro mês da presidência do Paraguai.
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