- Nove militares da reserva foram condenados no Uruguai a penas entre 11 e 15,5 anos de prisão por privação ilegal de liberdade, abuso de poder e tortura no Caso Roslik, ocorridos durante a última ditadura.
- As acusações se referem a detenções sem mandado judicial e tratamento cruel a várias pessoas, com indícios veiculados a 1980, na operação em San Javier, Rio Negro.
- Vladimir Roslik foi raptado em abril de 1980 em San Javier, torturado e libertado depois, mas morto em abril de 1984, após novo rapto e traslado para o 9º Batalhão de Infantaria, em Fray Bentos.
- A morte de Roslik é lembrada como a última vítima fatal da ditadura cívico-militar uruguaia (1973–1985); recurso judicial anterior impediu imputação direta pela morte, mas Ministério Público pode investigar outros fatos daquele período.
- A operação de San Javier envolve a principal comunidade russa no Uruguai, destacando o contexto de perseguição durante o regime, com promotores afirmando que dezenas foram privados de liberdade entre 1980 e 1984.
Nove militares na reserva foram condenados, no Uruguai, a penas entre 11 e 15,5 anos de prisão pelo Caso Roslik. Eles respondiam por privação ilegal da liberdade, abuso de poder e tortura praticados na reta final da ditadura.
O veredito ocorreu neste 23 de outubro, após indiciamento em 2023. As condenações preservam a linha de responsabilização por crimes durante o regime, incluindo detenções sem mandado e tratamento cruel.
Contexto histórico
Em 29 de abril de 1980, ocorreu na cidade de San Javier uma operação das Forças Armadas, que resultou no rapto de várias pessoas, entre elas o médico Vladimir Roslik. Roslik foi libertado em julho, mas viveu sob vigilância até maio de 1984, quando foi novamente capturado.
Roslik morreu no dia seguinte, em Fray Bentos, em decorrência da tortura. O caso é visto como marco entre as vítimas da última ditadura (1973-1985). A morte não pode ser imputada ao referido caso por decisão de tribunal de recurso, que entendeu já ter havido julgamento anterior.
Desdobramentos legais
O Ministério Público foi autorizado a investigar todos os episódios ocorridos em 1980 e 1984 relacionados a Roslik e a demais vítimas. O procurador Ricardo Perciballe afirmou, em alegações finais, que dezenas de pessoas foram privadas de liberdade ilegalmente entre abril e maio de 1980, incluindo adolescentes.
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