- Dar es Salaam, maior cidade da Tanzânia, enfrenta forte escassez de água devido à seca e à demanda crescente; o fornecimento é racionado e casas recebem água apenas uma vez por semana.
- Moradores recorrem a fornecedores privados, o que eleva o custo da água, que subiu de US$ 4 para US$ 10 por 1.000 litros.
- A crise afeta pequenos negócios, com vendedores de comida, salões e lava-rápis reduzindo horários ou aumentando preços devido à falta de água.
- O governo atribui o problema à dependência de rios alimentados pela chuva; há planos de longo prazo, como construção de uma barragem e mais poços para atender a demanda futura.
- Pessoas tentam se adaptar: armazenam água em recipientes, esperam por horários de abastecimento e buscam transporte para regiões com água, com impactos desiguais conforme a renda.
Dar es Salaam, a maior cidade da Tanzânia, vive dias de escassez de água que afetam milhões de moradores. Com o Natal se aproximando, os reservatórios estão baixos e os canos secaram em muitos bairros, prejudicando a rotina diária.
O abastecimento é controlado pela prefeitura: a água chega às casas apenas uma vez por semana, e para algumas famílias a espera pode durar várias semanas. A crise perdura há meses, resultado de seca prolongada e aumento da demanda.
Muitos recorrem a fornecedores privados, que extraem água de poços e tanques. Embora tragam alívio, os preços elevados pesam no orçamento de famílias de baixa renda.
Cedric Ndosi, que vive em Madale, planeja receber convidados no Natal, mas teme a falta de água. O custo extra para cozinhar e tomar banho preocupa o morador.
Furaha Awadhi, em Tegeta, relata que o preço da água subiu de 4 para 10 dólares a cada 1.000 litros. Cedric Mushi, em Ubungo, só aciona as torneiras quando há água, para armazenar o líquido.
Causas e impacto
A prolongada estação seca, encerrada apenas em maio, reduziu drasticamente o nível de rios e lençóis freáticos usados pela cidade. A redução de vazão levou a cortes no abastecimento e a perdas por vazamento na rede de distribuição.
Dar es Salaam fica na costa do Oceano Índico, com alta densidade populacional. A cidade não possui planta de dessalinização, e cerca de 70% da água potável depende do rio Ruvu, cuja vazão acompanha as chuvas internas.
As áreas altas e os bairros mais novos são os mais atingidos. Pequenos comerciantes, como vendedores de comida e salões, reduzem horários ou elevam preços para cobrir os custos de água.
Tegemeo Kombe, moradora de Kibamba, descreve o impacto na higiene e no estresse familiar quando o abastecimento falha. A situação gera ansiedade entre as mães e afeta a rotina do lar.
Medidas e perspectivas
O governo reconhece a gravidade do problema. O ministro da Água ressalta que a dependência de rios alimentados pela chuva expõe a cidade. Em planos de longo prazo, estão previstas a construção de uma usina para coletar água de várias fontes e mais perfurações de poços.
A Dawasa pediu às pessoas que economizem água e pediu compreensão aos moradores. Críticos pedem comunicação mais clara, calendário de racionamento e celeridade em projetos prometidos.
Joyce Fredrick, residente de Dar es Salaam, planeja viajar para Arusha para fugir do calor. Mesmo com dificuldades, mantém a esperança de melhoria no próximo ano, diante de medidas em andamento.
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