- Copenhagen tem alta participação de pessoas que vão de bike ao trabalho (30–40%), resultado de investimentos em ciclovias e infraestrutura; ainda assim, a poluição do ar persiste e há propostas de cobrança de congestionamento e zonas de emissões ultrabaixas.
- Viena é consistently classificada como cidade mais respirável, com ampla área verde, moradia social e transporte público integrado; o acesso a parques ajuda a reduzir desigualdades de saúde, mas há receio com o avanço de políticas de direita que podem afetar o ambiente.
- Barcelona enfrenta calor intenso e poluição do ar devido a rodovias urbanas e tráfego; as superquadras e eixos verdes melhoraram a saúde e a qualidade de vida, mas a implementação de 503 superquadras ainda não ocorreu.
- Londres é elogiada por suas áreas verdes, porém o acesso seguro a parques é dificultado por cruzamentos inadequados e velocidade de carros; o aumento dos SUVs agrava riscos a pedestres e ciclistas, e a zona de emissões ultrabaixas é vista como oportunidade perdida para reduzir o uso de carros.
Four especialistas em saúde ambiental avaliam as cidades mais habitáveis da Europa, destacando como infraestrutura, áreas verdes e mobilidade influenciam a qualidade de vida e a saúde pública.
Copenhague aparece como referência de mobilidade quarteirão a quarteirão. Em entrevista, Zorana Jovanovic Andersen elogia a alta participação de bikeadores e a redução do espaço viário para carros. Ela aponta que ciclovias bem desenvolvidas e transporte público eficiente ampliam a sensação de liberdade urbana.
Ainda que reconhecida pela qualidade do ar, a cidade enfrenta poluição residual e riscos de aquecimento urbano. Andersen defende políticas como congestion charging e zonas de emissões ultrabaixas para acelerar a mudança de hábitos de deslocamento.
Viena
Mathew White descreve Viena como exemplo de bem-estar sustentável, com áreas verdes amplas e transporte público bem integrado. O acesso compartilhado a parques reduz desigualdades de saúde, segundo o pesquisador de saúde pública ecológica.
A cidade oferece moradia social, parques distribuídos e tarifa de transporte a baixo custo, incentivando a convivência entre comunidades. White observa que a qualidade de vida é favorecida pela natureza acessível, mesmo entre os menos favorecidos.
Por outro lado, Viena carece de ciclovias comparáveis às de Copenhagen. O panorama político recente, com a ascensão de forças de direita, é visto como potencia de risco para políticas ambientais progressistas, segundo o especialista.
Barcelona
Mark Nieuwenhuijsen comenta que as altas temperaturas evitavam que a cidade fosse confortável há duas décadas; hoje, poucos meses são toleráveis. As superquadras e as chamadas eixos verdes melhoraram saúde e habitabilidade, segundo o pesquisador.
A cidade ainda enfrenta calor extremo e poluição do ar agravados pelo tráfego intenso. A implementação incompleta de 503 superquadras impede ganhos de qualidade de vida e redução de custos com saúde, aponta a pesquisa dele.
Conclusões sobre planejamento urbano sugerem ampliar o recuo de veículos e ampliar áreas pedonais para reduzir calor e poluição, mas isso depende de decisão política firme.
Londres
Audrey de Nazelle ressalta que, entre as cidades estudadas, Londres sobressai pela quantidade de áreas verdes. No entanto, o acesso seguro aos parques é dificultado pela ausência de faixas de pedestres e pela velocidade excessiva de veículos.
O aumento gradual do peso de SUVs intensifica riscos para pedestres e ciclistas. A pesquisadora aponta que a região precisa de visões mais ousadas para reduzir dependência de automóveis, mesmo com a introdução de zonas de emissões ultrabaixas.
De Nazelle observa que dimensões de planejamento urbano e segurança viária ainda não atingem o patamar de cidades europeias que reduziram significativamente o uso de carros, limitando os benefícios de saúde associados aos espaços verdes.
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