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Não há volta: mulheres do Irã continuam desafiando o código de vestimenta

Mesmo com prisões e multas, mulheres iranianas aumentam desfiles sem hijab e atividades públicas, sinalizando resistência contínua frente à lei de decência

Iranian girls in Laleh Park, central Tehran. One of the city’s most well-known and socially and politically significant public spaces, it is frequented mainly by students as a place to gather and spend time together
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  • Mulheres em Teerã têm publicado vídeos mostrando-se sem lenço, ampliando a movimentação após a morte de Mahsa Amini e a lei de hijab e castidade entrar em vigor em 2024.
  • A lei prevê punições severas para quem promover nudez, indecência, desvelamento ou vestimenta inadequada, incluindo multas de até £12.500, chicotadas e prisão de cinco a quinze anos em casos repetidos.
  • Autoridades lançaram uma plataforma de denúncia incentivando a participação do público para identificar quem violar o código.
  • Em Kish, organizadores de uma maratona foram presos por supostamente permitir que mulheres corram sem hijab, em meio a uma intensificação das ações de fiscalização.
  • Jovens de Teerã e de outras regiões, como um clube de motos apenas com mulheres, continuam desafiando as regras, aumentar o apoio público às atitudes de desobediência conforme o governo encara críticas internas e externas.

Em 2025, mulheres no Irã intensificaram a demonstração pública de desfiles sem lenço, desafiando a obrigatoriedade do hijab. O movimento ocorre após a morte de Mahsa Amini em 2022, que desencadeou uma onda de protestos e repressão, com o governo endurecendo leis de vestimenta.

A lei de hijab e castidade entrou em vigor em 2024, prevendo punições severas para quem promover nudez, indecência ou desrespeito ao código. Multas de até 12.500 libras, flogging e prisão de cinco a 15 anos para reincidentes passaram a fazer parte do regime legal.

As autoridades passaram a incentivar a população a agir como vigilante do código, por meio de uma plataforma estatal que permite denunciar supostas infrações. O objetivo é ampliar o controle sobre a conduta das mulheres em espaços públicos.

Intensificação da aplicação e casos recentes

Em dezembro de 2024, o líder supremo Ali Khamenei ressaltou a importância do hijab para preservar a dignidade feminina e conter impulsos sexuais, impulsionando uma nova ofensiva de fiscalização. Nas semanas seguintes, equipes de segurança reforçaram as ações contra mulheres sem véu.

Na prática, houveram prisões e acusações envolvendo organizadores de eventos. Um caso ocorrido em Kish envolve a prisão de organizadores de uma maratona por permitir corridas sem lenço entre as atletas. A operação é vista como teste de tolerância zero ao desrespeito ao código.

Observadores locais destacam que a resistência persiste, mesmo com repressão. Relatos de ativistas apontam que a narrativa de apoio ao código está fragilizada, sobretudo em cidades grandes como Teerã, onde muitos jovens continuam a desafiar normas. Ainda assim, o regime tende a evitar ações em larga escala para não gerar maior repercussão.

Além de corridas, iniciativas de mulheres em clubes de moto exclusivamente femininos também ganharam destaque. Em Teerã, integrantes do grupo realizam passeios semanais, com algumas participantes deixando de usar o lenço fora das atividades, sinalizando uma mudança de comportamento gradual.

Contexto regional e perspectivas

Em Shiraz e outras províncias, relatos indicam uma atmosfera de maior abertura para escolhas de vestimenta entre as jovens. Especialistas em direitos humanos apontam fragilidade institucional para impor regras de forma homogênea diante da pressão interna e internacional.

Autoras e ativistas ressaltam que o tema extrapola o uso do hijab: envolve identidade regional, economia e relações entre governo e sociedade. A situação permanece tensa, com o governo buscando reforçar normas sem traditional consentimento popular, conforme análises de especialistas.

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