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Mianmar realiza eleições legislativas organizadas pela junta militar

Eleições organizadas pela junta militar de Mianmar encerram a primeira fase, com críticas da ONU e de muitos países apontando tentativa de legitimar o regime em meio à guerra civil

Eleições em Mianmar. Foto: Sai Aung MAIN / AFP
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  • A junta militar de Mianmar realizou a primeira fase de eleições legislativas, cuja organização é criticada pela ONU e por vários países como movimento para legitimar o regime, após o golpe de 2021 que deu início a uma guerra civil.
  • A votação, restrita e com a participação de jornalistas e funcionários do governo em maior número do que de eleitores, começa em áreas sob controle da junta e não ocorre em regiões dominadas por grupos rebeldes.
  • A ex-governante Aung San Suu Kyi permanece presa desde o golpe, e o partido por ela liderado foi dissolvido pela junta.
  • A entidade internacional pediu que o futuro de Mianmar seja definido por um processo livre, justo e inclusivo, refletindo a vontade do povo.
  • A expectativa é de que a eleição dure um mês, com a apuração iniciando logo após o fechamento das primeiras urnas; a oposição tem observado que o pleito ocorre em meio a críticas à legitimidade do processo.

A organização de eleições legislativas em Mianmar, organizadas pela junta militar, chegou ao fim da primeira fase neste domingo, 28. O processo é amplamente visto pela comunidade internacional como uma tentativa de legitimar o regime que chegou ao poder em 2021, ocorrendo em meio à guerra civil. A votação deve durar um mês e ocorre sem a participação de grande parte da população.

A ONU e diversos países criticaram o pleito, afirmando que ele não é livre, justo nem inclusivo. O escritório das Nações Unidas em Mianmar destacou a necessidade de um caminho democrático que reflita a vontade do povo, sem interferência das Forças Armadas.

A junta militar, liderada pelo general Min Aung Hlaing, defende que as eleições são livres e justas, organizadas pelos militares. Em Naypyidaw, o general afirmou que não permitiria que a reputação do país fosse manchada, ao votar na capital.

O principal partido que concorre é o União, Solidariedade e Desenvolvimento, descrito como a força política dominante entre os simpatizantes do regime. Em 2020, o pleito foi considerado amplo, mas foi anulado pelos militares após o golpe.

Nos locais de votação, a presença de eleitores foi menor do que a de jornalistas e funcionários do governo em Yangon, segundo relatos locais. Muitos moradores questionaram a legitimidade do processo sob a fiscalização internacional.

Aurbg Suu Kyi, ex-líder e vencedora do Prêmio Nobel da Paz, permanece presa desde o golpe de fevereiro de 2021, com a maioria de seus aliados detida ou forçada ao exílio. Atualmente, ela cumpre uma pena de 27 anos de prisão em acusações amplamente debatidas por organizações de direitos humanos.

Na votação de 2020, eleitores formaram filas extensas, mas o pleito foi cancelado pelos militares ao assumirem o poder. Desde então, o país enfrenta uma escalada de violência e deslocamentos, com áreas sob controle rebelde sem participação no pleito atual.

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