- Depoimento de John Feeley aponta que a prisão de Bolsonaro mudou a percepção de Donald Trump, que passou a vê-lo como perdedor e menos confiável, o que dificulta negociações Brasil‑EUA.
- Segundo Feeley, Trump é imprevisível e facilmente influenciável por assessores; por isso, o andamento das tratativas dependeria de fatores pessoais do presidente, tornando o desfecho das negociações mais acaso do que planejamento.
- Feeley afirma que a relação entre EUA e Brasil é estratégica para ambos, independentemente de quem esteja no poder, e critica a ideia de que Trump seja estratégico de longo prazo; Lula teria tido sorte nas negociações.
- Sobre Venezuela, o diplomata diz que o bloqueio total é eficaz para pressionar o regime de Nicolás Maduro, e sustenta que o embargo não é a única causa da crise humanitária, creditando também falhas do modelo econômico venezuelano.
- Em relação a eventual escalada, Feeley não acredita em conflito direto, mas afirma que, se houver, isso seria muito prejudicial para a região; destaca o papel do Brasil como exemplo democrático e sugere que instituições democráticas permaneçam firmes.
O depoimento de John Feeley, ex-embaixador dos EUA no Panamá, traça um recuo das sanções americanas contra o Brasil. Segundo ele, o comportamento errático de Donald Trump influenciou a percepção sobre Jair Bolsonaro e, assim, as tratativas com Washington.
Feeley afirma que a prisão de Bolsonaro mudou a leitura do relacionamento entre os dois países. O diplomata sustenta que Trump passou a ver o aliado como perdemero, o que afetou a disposição de manter ou ampliar medidas contra autoridades brasileiras.
O ex-diplomata comenta ainda que a negociação Brasil-EUA nos últimos meses depende mais de fatores pessoais de Trump do que de conquistas do governo Lula. A entrevista também destaca a suposta influência de assessores de Washington e da K Street sobre decisões de política externa.
Contexto regional e checagem de fatos
De acordo com Feeley, a relação entre Brasil e EUA continua relevante para ambos, independentemente de quem governa. Ele descreve Trump como líder personalista, imprevisível e difícil de negociar, o que, segundo ele, dificulta previsões de ações bilaterais.
O diplomata aponta que não houve estratégia clara de mudança de regime na Venezuela e critica a utilização de argumentos para justificar intervenções. Eleuder a necessidade de um alinhamento entre objetivos e instrumentos da política externa.
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