- Em Hong Kong, o cineasta Kiwi Chow viu seu novo filme Deadline recusado pela censura por razões de segurança nacional, sem direito de recurso.
- Deadline, filmado em Taiwan e lançado em 7 de novembro, acompanha estudantes de uma escola privada sob pressão acadêmica; o filme é estrelado pelo ator Anthony Wong.
- A decisão ocorre em meio a maior pressão sobre dissidentes após o incêndio no Wang Fuk Court e as eleições legislativas com maioria de candidatos aprovados pelo governo, resultando em participação de 31,9%.
- Chow afirma que o regime tenta destruir sua carreira criativa e disse que não recorrerá da decisão por achar o recurso “fútil”.
- Autoridades investigam o incêndio, com prisões por suspeita de homicídio; Chow pretende permanecer em Hong Kong e seguirá manifestando suas posições, mesmo com o risco.
O diretor Kiwi Chow enfrenta dificuldades crescentes para lançar seu novo filme em Hong Kong. Deadline, sobre a pressão acadêmica entre estudantes, teve a aprovação de exibição recusada pela autoridade de censura local por questões de segurança nacional. Chow afirma que a decisão é um peso pessoal, apontando um efeito sobre sua carreira criativa.
Chow, de 46 anos, tornou-se uma voz conhecida por obras que exploram o dinamismo político de Hong Kong, como Ten Years (2015) e Revolution of Our Times (2021). O novo filme foi rodado em Taiwan e recebido com expectativa no circuito internacional, mas não conseguiu chegar ao público local.
A recusa ocorreu em 12 de dezembro, em meio a um contexto de endurecimento das regras de segurança nacional. O cineasta afirmou que não vai recorrer da decisão, classificada como inútil pela própria razão de ser do processo.
Para Chow, a medida revela um objetivo de pressionar o criador e demonstrar um precedente sobre o que pode ser exibido. Ele descreve a situação como injusta e diz que continuará a perseguir sua trajetória cinematográfica apesar das adversidades.
Especialista de cinema, Shelly Kraicer observa que Chow não evita abordar abertamente as limitações impostas pela gestão, destacando o foco político em seus trabalhos. Kraicer ressalta um viés das autoridades em controlar o que pode ser mostrado.
O caso acontece após o incêndio no Wang Fuk Court, em novembro, que deixou dezenas de mortos e acionou críticas à atuação governamental. A tragédia ocorreu pouco tempo antes das eleições para o Conselho Legislativo de Hong Kong, marcadas por regras que exigiram candidatos aprovados pelo governo, com participação eleitoral próxima de 32%.
Chow também tem se manifestado sobre a gestão pública do desastre, criticando supostas falhas de fiscalização, corrupção e procedimentos de construção. Ele já havia usado sua plataforma para questionar padrões profissionais sob o regime de segurança nacional.
A investigação oficial sobre o incêndio envolve várias inscrições de responsabilização, com prisões de pessoas ligadas a obras de renovação. A administração municipal continua a apurar as causas, incluindo possíveis ligações entre autoridades e empresas.
Enquanto o governo de Hong Kong reforça o tom de segurança, Chow permanece na cidade e sustenta que a pressão não deve silenciar a criação artística. Ele aponta que, mesmo diante do risco, manter a produção é um caminho preferido para preservar a voz crítica.
Entre na conversa da comunidade