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Palestinos suspeitos de ajudar Israel enfrentam destino incerto

Após a troca de corpos, a família de Khalil Dawas diz que ele não será aceito, vivo ou morto, destacando o estigma de colaboradores na Palestina

Relatives of Palestinian prisoners waiting for their release outside Ofer prison, where Dawas was held for six months without charge in 2020.
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  • Em 14 de outubro, o Hamas entregou quatro corpos a Israel, parte de um acordo de cessar-fogo mediado pelos EUA; três foram identificados, e o quarto foi contestado como possível soldado israelense.
  • Khalil Dawas, palestino de Jericó, era visto como provável colaborador de Israel; sua história é marcada por contradições e segredo.
  • Dawas foi preso várias vezes, passou mais de seis mil dias na prisão e, em 2020, ficou seis meses em Ofer sem acusação, em detenção administrativa.
  • Segundo moradores de Aqabat Jabr, Dawas pode ter sido recrutado durante aquele período; após a libertação, comportamentos estranhos levantaram suspeitas, inclusive venda de munições no acampamento.
  • Em maio de 2024, Hamas afirmou ter capturado e morto soldados israelenses; Dawas foi identificado entre os corpos, mas as autoridades palestinas relatam que o reconhecimento provocou temor de represálias e o paradeiro de seus restos permanece desconhecido.

On Tuesday 14 October, Hamas entregou quatro corpos a Israel como parte de um acordo de troca de corpos dentro do cessar-fogo mediado pelos EUA. Forenses israelenses confirmaram as identidades de três, enquanto o quarto permanece contestado. Hamas afirma que o quarto corpo é de um soldado, mas as autoridades israelenses não confirmaram a identificação.

Khalil Dawas, palestino de Jericho, é o foco central desta história. Nascido em Jabaliya, Gaza, ele se mudou com a família para Tell, perto de Nablus, no West Bank, em 2014. Dawas foi preso diversas vezes pelas forças israelenses, somando mais de seis anos em prisões ao longo de sua vida.

Segundo moradores do acampamento Aqabat Jabr, Dawas pode ter sido recrutado como informante durante os seis meses em que esteve detido, entre 2020 e 2021, em Ofer, sem atribuição de crime. A prática de recrutamento de palestinos por meio de coerção é amplamente documentada na ocupação.

Análise de moradores e de membros de facções em Jericho aponta que Dawas passou por mudanças comportamentais após a libertação. A comunidade relata venda de munição por Dawas, o que gerou desconfiança entre os moradores, culminando em uma pressão de coordenação com a repressão local após 2023.

Em fevereiro de 2023, forças israelenses realizaram uma grande operação no Aqabat Jabr, resultando na morte de vários palestinos. A IDF acusou os mortos de estarem ligados a células do Hamas. Pouco depois, Dawas foi preso pela Autoridade Palestina sob suspeita de cooperação com Israel, mas foi liberado em abril por falta de provas.

Relatos de moradores sugerem que Dawas foi visto pela comunidade como traidor. A partir de então, houve relatos de perseguição, violência e tentativas de expulsão de Dawas do território. O histórico de violência inclui interrogatórios e resistência de grupos locais.

Em maio de 2024, durante confrontos entre Hamas e Israel em Gaza, houve a divulgação de imagens de supostos combatentes presos em túnel. O caso de Dawas foi reconhecido por moradores que o identificaram entre os corpos, ainda que não haja confirmação independente sobre o envolvimento dele ou as circunstâncias do episódio.

Na família de Dawas, houve resistência pública à aceitação de seu corpo em Gaza. A família confirmou o envolvimento dele com as forças israelenses apenas como suspeita, sem evidências conclusivas apresentadas publicamente. Estudos sobre colaboradores costumam permanecer confidenciais por segurança.

As autoridades de Israel e da Autoridade de Segurança Interna não comentaram o caso. Especialistas apontam que, quando identificados como colaboradores, palestinos costumam enfrentar ostracismo e dificuldades de sepultamento, com consequências profundas para comunidades locais.

Até o momento, não há confirmação sobre o paradeiro dos restos mortais de Dawas. O caso exemplifica as controvérsias e o silêncio que cercam acusações de cooperação entre palestinos e forças israelenses, em um conflito de longa data.

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