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Agro brasileiro abastece a Venezuela diante de sanções

Intervenção dos EUA na Venezuela pode redesenhar alianças regionais, elevando risco de restrições comerciais e impactando acordos logísticos entre Brasil e Caracas

Agro da Venezuela produz pouco para alimentar sua população
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  • Entre 2016 e 2025, o Brasil exportou US$ 6,95 bilhões em alimentos para a Venezuela, totalizando 10,55 milhões de toneladas, com ênfase em cereais, açúcar e proteínas animais.
  • Em 2024, a Venezuela foi a 29ª maior cliente do agro brasileiro, importando US$ 919 milhões, com destaque para o complexo cerealista e o sucroalcooleiro.
  • De janeiro a novembro de 2025, as vendas brasileiras para a Venezuela somaram US$ 474,5 milhões, em meio a relações tensas entre os dois países por questões políticas.
  • A intervenção dos Estados Unidos na Venezuela, realizada no sábado, pode provocar restrições comerciais, realinhamento de parcerias e mudanças na logística e na confiança entre Brasil e Caracas.
  • No acumulado da década, o superávit comercial do Brasil com a Venezuela fica em torno de US$ 6,95 bilhões, pois as importações venezuelanas são pequenas (US$ 829 mil em 2024 e US$ 1,5 milhão em 2025).

Ao longo da última década, o Brasil foi fornecedor dominante de alimentos para a Venezuela, com faturamento de US$ 6,95 bilhões entre 2016 e 2025 e 10,55 milhões de toneladas exportadas. O padrão envolve cereais, açúcar, proteínas e derivados agrícolas, fortalecendo uma balança favorável ao Brasil.

Neste sábado, 3 de janeiro de 2026, ocorreu intervenção dos EUA na Venezuela. A ação provocou condenação de governos da região, incluindo o Brasil, e pode limitar parcerias comerciais, afetando acordos logísticos e a confiança entre Brasil e Caracas.

Recuo diplomático e impactos no comércio

As relações entre Brasil e Venezuela passaram a ficar mais tensas em 2024-2025, com divergências políticas. Em 2025, o Brasil vendeu US$ 474,5 milhões para a Venezuela de janeiro a novembro, contra US$ 829 mil e US$ 1,5 milhão de importações venezuelanas em 2024 e 2025, respectivamente.

Em 2024, a Venezuela ocupou o 29º lugar entre compradores do agro brasileiro, com US$ 919 milhões em compras. Já em 2016-2025, o saldo da balança em favor do Brasil ficou em US$ 6,95 bilhões, com o complexo de cereais e o sucroalcooleiro como motores.

Estrutura da balança brasileira com a Venezuela

O setor de cereais, farinhas e preparações concentrou US$ 2,33 bilhões em receita na década, movimentando 5,57 milhões de toneladas. O complexo sucroalcooleiro soma US$ 1,49 bilhão e 3,15 milhões de toneladas exportadas.

O segmento soja atingiu US$ 905,8 milhões, com pico de demanda em 2021. Já o setor de carnes acumula US$ 585,4 milhões na década, recuperando patamares a partir de 2020.

Panorama do agro venezuelano

A produção de milho na safra 2024/25 foi estimada em 1,36 milhão de toneladas, segundo USDA/FAS. Arroz beneficiado fica em cerca de 407 mil toneladas, com 600 mil toneladas em casca. A avicultura é o motor regional, com 548,3 mil toneladas de carne de frango em 2024.

A Venezuela depende de insumos importados para rações e tecnologia, mantendo vulnerabilidade a variações cambiais. O cacau fino também figura entre nichos exportadores, com importações dos EUA de US$ 15,3 milhões em 2024.

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